O 5G depende de pelo menos três fatores para se expandir pelo Brasil, segundo Marcos Ferrari, presidente-executivo da Conexis Brasil Digital: políticas públicas para acabar com os desertos digitais; os setores produtivos precisam entender o que é o 5G; e infraestrutura.
O executivo falou nesta manhã durante o Workshop 5G, organizado pela Conexis e pela Conecte 5G. Para Ferrari, as operadoras de telecomunicações estão fazendo sua parte de implementar a tecnologia dentro do prazo e fazendo os investimentos necessários. Agora, faltam políticas públicas que ajudem a demanda de populações de baixa renda.
Outro fator é relacionado aos setores produtivos, “porque é uma tecnologia que vai transformar os métodos de vendas, de comércio, o sistema financeiro, o agronegócio. Tudo isso vai ser revolucionado ao longo dos próximos anos”, comentou. Por isso é importante que a indústria tenha condições de adotar a tecnologia e auxiliar na produtividade brasileira.
Por último, a instalação de infraestrutura é crucial na expansão do 5G. Entretanto, a colocação de torres e antenas está prejudicada na maioria das cidades brasileiras por legislações municipais antigas, que não estão de acordo com a Lei das Antenas Federal.
“Temos um grande desafio e, apesar do avanço nas capitais, apenas 2% dos municípios do Brasil tem uma legislação moderna, aquela que permite às operadoras colocarem infraestrutura de maneira adequada para que o serviço chegue à população”.
O conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Vicente de Aquino, reforçou a importância de as cidades modernizarem suas leis. Ele explicou que a Anatel fez a sua parte ao desenhar um leilão não arrecadatório, que gera investimentos em cobertura 4G e 5G, mas que agora é a vez das autoridades municipais atualizarem suas leis pelo bem da população.

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“A maior forma de inclusão social é a inclusão digital”, disse Aquino. Ele pediu que as autoridades aprovem novas leis e que tenham atenção à inclusão digital dos seus municípios.
Características do 5G
O 5G é diferente das gerações anteriores de telefonia móvel porque é uma plataforma sobre a qual serão desenvolvidas diversas aplicações, explicou Diogo Della Torres, coordenador de Infraestrutura da Conexis. E, segundo ele, existem três possíveis formas de uso:
- Como uma evolução do 4G, com velocidade maior;
- Em aplicações críticas, que precisam de baixíssima latência e altíssima confiabilidade;
- E com capacidade de agregar muitas conexões para ter disponível o conceito de Internet das Coisas (IoT).
Além dessa variedade de aplicações, a tecnologia é ainda mais relevante porque atende diversos setores da sociedade. Na educação, por exemplo, podem ser usadas Realidade Virtual e Aumentada como uma gamificação; na agricultura, o maquinário pode trabalhar de forma integrada por meio de sensores e com controle remoto, gerando economia e aumentando a produtividade.
Mas, para que esses benefícios sejam refletidos na sociedade daqui a alguns anos, os municípios precisam atualizar suas leis de antenas.