ESG na prática: as medidas do macrossetor TIC no Brasil

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O macrossetor TIC – reunião de empresas que provém conectividade, hardware, software, serviços de tecnologia, redes sociais e plataformas – do Brasil está comprometida com carbono neutro e busca reduzir suas emissões, aponta o Relato Consolidado de ASG, elaborado pela Brasscom (Associação das Empresas de TIC e de Tecnologias Digitais).

O documento investiga os pilares Ambiental, Social e de Governança (ASG e, em inglês, ESG) em 60 grupos de empresas que atuam no Brasil, como Amazon, Google, Uber, América Móvil, TIM e Telefônica. O objetivo é apresentar as ações e os compromissos do macrossetor com base em conceito amplo de sustentabilidade.

Para a Brasscom, o setor se envolve com a pauta ASG porque as tecnologias causam efeitos indesejados. Por exemplo, o aumento da emissão de gases de efeito estufa, a poluição dos mares decorrente de despejos de resíduos, a redução da cobertura vegetal, no caso de modelos de negócios que são intensivos em recursos naturais, entre outros.

“Reconhecendo a responsabilidade que têm para o avanço civilizatório e o bem-estar para com esta geração e das gerações vindouras, as empresas do Macrossetor de TIC passaram a adotar políticas e compromissos voltados à articulação harmônica da visão estratégica de ASG”, diz o Relato.

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Ambiental

A maior parte das companhias pretende se tornar neutra em carbono entre 10 e 30 anos, até 2050. Para aquelas que são provedores de nuvem e serviços, elas buscam eficiência energética dos data centers em que operam com a compra ou geração de 100% de energia renovável.

Outra iniciativa é a construção de prédios verdes que aplicam a sustentabilidade no projeto, construção e operação. Essa preocupação está presente em quase todos os modelos de negócio, desde big techs, empresas brasileiras e de telecom.

Um ponto que também foi bastante mencionado é a reciclagem, a minimização do lixo gerado e a economia circular. “Para muitas empresas, a reciclagem além de ser uma ação implantada na cadeia de produção, é questão essencial para escolha dos fornecedores e também incentivada para os clientes”, segundo o documento.

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Social

O eixo social busca o respeito aos direitos humanos e trabalhistas e a melhoria de problemas sociais, como a desigualdade social e inclusão digital.

Um dado interessante é que todas as empresas pesquisadas possuem compromissos com diversidade e inclusão, com políticas que buscam ampliar a contratação de mulheres, população LGBTQIA+, negros e pessoas com deficiência. Além disso, as companhias oferecem treinamentos destinados à diversidade, como programas de capacitação e empoderamento racial, e programas de mentoria.

O comprometimento com educação é o terceiro mais citado, só ficando atrás de investimento nos funcionários e diversidade, equidade e inclusão. Todas as empresas possuem mais de uma ação em educação, como bolsa de estudos, programas de treinamentos e capacitação nas áreas de ciências, tecnologia, engenharia e matemática.

Governança

Em relação à governança, todas as companhias mencionaram a existência de Códigos de Ética, nos quais aparecem normas, procedimentos a serem conduzidos pelos colaboradores e melhores práticas de governança, esclarecendo as responsabilidades e obrigações de cada indivíduo.

As empresas também têm criado comitês para a melhoria dos princípios éticos e procedimentos administrativos, garantindo a independência das decisões. Um diferencial é a aplicação de soluções tecnológicas para auxiliar as companhias com os funcionários e no relacionamento com seus clientes, para tentar garantir “credibilidade e transparência nos processos internos”.