domingo, septiembre 25, 2022
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Brasil precisa de mais espectro de bandas médias para 5G

Em consulta pública, as operadoras Claro, TIM e Vivo defenderam a destinação da subfaixa de 4,9 GHz para o 5G.

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As operadoras Claro, TIM e Vivo defendem a destinação da frequência de 4.800 a 4.990 MHz para o 5G, mais do que a proposta da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A subfaixa faz parte das bandas médias e, segundo as empresas, é necessária para a evolução da quinta geração da rede móvel.

A proposta da Anatel, colocada em discussão na Consulta Pública nº 23, é “destinar a faixa de radiofrequências de 4.800 MHz a 4.960 MHz para a prestação do Serviço Móvel Pessoal – SMP, do Serviço de Comunicação Multimídia – SCM, do Serviço Telefônico Fixo Comutado – STFC e do Serviço Limitado Privado – SLP”. Além disso, de 4.960 MHz a 4.990 MHz, a subfaixa deve ser destinada para SLP em aplicações de segurança pública e defesa civil.

A posição das três operadoras é que toda a frequência deve ficar para o 5G – não só até 4.960 MHz – devido à alta demanda da quinta geração da rede móvel e aos benefícios que a rede promete. A mesma visão é defendida pela GSMA.

TIM

A TIM recorda que a faixa de 3,5 GHz não será suficiente para suportar a inovação e o tráfego do 5G. Um estudo recente da GSMA estima que, “em média, serão necessários cerca de 2 GHz, em mid-bands, entre 2025 e 2030 para suportar toda a demanda por serviços de telecomunicações, considerando análise das 36 cidades abordadas no estudo”. São Paulo, por exemplo, necessitará de 2.160 MHz adicionais.

“Nessa linha, a faixa de 4.9 GHz é um pedaço do mosaico de mid-bands necessário para atender toda a demanda de tráfego entre 2025-2030, que compreende também toda a faixa de 3.5 GHz (3.300 – 4.200 MHz) e a faixa de 6 GHz (5.925 – 7.125 MHz)”, diz a empresa na consulta pública.

Além disso, a operadora diz que o espectro não deve ser destinado para o SLP, justificando que “a preponderância dos serviços de interesse coletivos em relação aos serviços de interesse restrito deve ser sempre observada como fundamento da política regulatória de planejamento e gestão do espectro radioelétrico e não deve ser deixada de lado”.

A empresa acrescentou que a frequência adicional é ainda mais necessária já que o Brasil destinou a faixa de 6 GHz para o uso não licenciado.

Relacionado: Anatel descarta revisar destino da faixa de 6 GHz

Claro

A Claro se apoia no estudo Os benefícios socioeconômicos dos serviços 5G na banda média, da GSMA, para mostrar a importância das bandas médias. De acordo com o relatório, essa parte do espectro pode contribuir com 63% do PIB para o setor, “enquanto as bandas baixas contribuem com 14% e as bandas altas com 23%, sendo esperado um crescimento mundial de $960 bilhões até 2030”.

A operadora ainda argumentou que atualmente há uma “grande quantidade de enlaces de alta capacidade na frequência”, e que essa mudança vai acarretar investimentos elevados. “Deste modo, julgamos relevante prever o uso de parte da arrecadação obtida através do processo licitatório, e destiná-lo para desmobilização dos meios de transmissão dos atuais autorizados pelo uso da faixa de frequência.”

Vivo

A Vivo afirma que os 160 MHz previstos na sugestão da Anatel são insuficientes para nivelar a disponibilidade de espectro nas bandas médias e a demanda pelas operadoras para aplicações IMT. Portanto, defende a destinação integral da subfaixa para o 5G.

A operadora também entende que a Anatel deve conduzir testes de convivência com os serviços de telecomunicações que já utilizam parte do espectro. 

Oi

Já a Oi alerta que será necessário realizar limpeza da faixa de 4,9 GHz e que o impacto financeiro é de aproximadamente R$ 350 milhões, “muito mais elevados do que os de reconfiguração de sistema e de coordenação, previstos no AIR que acompanha a CP 23/2021 e que foi aproveitado para esta CP 23/2022”.

A proposta da Oi é que os custos sejam arcados pelas operadoras que adquirirem o direito de uso na faixa de 4,9 GHz.

Histórico

A Anatel aprovou a consulta pública nº 23 em abril, com a proposta de destinar mais espectro para o 5G. Segundo o conselheiro Moisés Moreira, a sugestão permitirá a criação de melhores serviços para os usuários e a exploração de novos modelos de negócios.

Apesar de ter que reduzir a quantidade de frequências destinadas para o serviço fixo, segurança pública e defesa civil, a Anatel acredita que os benefícios superam o custo do refarming.

Mirella Cordeiro
Mirella Cordeiro
Editora, periodista de temas digitales, telecomunicaciones y tecnología y corresponsal de DPL News en Brasil y lengua portuguesa. Editor, jornalista digital, de telecomunicações e tecnologia e correspondente do DPL News no Brasil e em português.

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