Apesar de não ser um termo novo, a palavra metaverso ficou amplamente conhecida depois que o Facebook mudou seu nome para Meta, em outubro de 2021, por acreditar que o metaverso será a nova geração da Internet. Quem já ouviu falar sobre a tecnologia, deve saber que tem relação com realidade virtual e realidade aumentada. Mas o que o metaverso traz de oportunidades para os negócios?
Em primeiro lugar, é necessário entender o que são metaversos. Christian Perrone, head de Direito e Govtech do ITS (Instituto de Tecnologia e Sociedade), explica que é um espaço criado para reconstruir o espaço físico onde habitamos.
“Normalmente eu divido em duas oportunidades: o metaverso 1.0, que é uma experiência imersiva, na qual você se sente dentro de um espaço concreto, mas é uma experiência separada do mundo físico; e o metaverso 2.0, que será uma experiência efetivamente imersiva, onde será feita uma sobreposição entre a realidade concreta e a realidade digital, com aumento das experiências sensoriais.”
Será possível duas pessoas se encontrarem virtualmente por meio de avatares e, além de verem e escutarem uma à outra, poderão sentir cheiros como se estivessem juntas no mesmo ambiente.
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Essa versão 2.0 do metaverso não está disponível no mercado porque os equipamentos necessários ainda estão sendo desenvolvidos. Os óculos de realidade aumentada que existem hoje, por exemplo, não são populares nem adequados para serem utilizados durante um longo período de tempo.
Mas já há diversos projetos que são chamados de metaversos. Um deles é o aplicativo baseado em realidade virtual Horizon World, da Meta, que funciona de forma similar ao jogo Minecraft.
No Brasil, a Pixit é uma empresa de plataformas digitais que se especializou na construção de metaversos. Em conversa com a DPL News, Flávio Machado, CEO da Pixit, contou que eles começaram a apresentar suas construções na versão beta em 2019 e, no ano seguinte, “deu um grande boom”.
Case de sucesso no metaverso
Um exemplo foi a feira agropecuária Coopercitrus, que teve sua última versão presencial em 2019, na qual foram negociados R$ 800 milhões. Com a pandemia de Covid-19 e a impossibilidade de realizar o evento em 2020, a solução foi criar um universo digital.
O resultado, para a surpresa dos organizadores, foi o comércio de R$ 1,1 bilhão. “Quando esses números apareceram, começou a despertar interesse das empresas”, disse Machado, afirmando que a perspectiva era a queda de 30% do volume comercializado.
No ano seguinte, a Pixit construiu novamente o metaverso para a feira e o resultado foi a movimentação de R$ 1,6 bilhão. Ou seja, o valor comercializado dobrou entre 2019 e 2021.

Expectativas
A expectativa do executivo para a Pixit em 2022 é triplicar o faturamento no mercado nacional e quadruplicar no mercado externo. “No ano passado, o mercado externo representou em torno de 10% do nosso faturamento. Esse ano nós pretendemos que ele chegue a cerca de 40%”, comentou.
Segundo Machado, as negociações estão sendo puxadas por grandes players da indústria, que utilizam a plataforma para apresentar seus produtos e soluções, e o varejo está começando a se interessar.
Ele explica que, no varejo, o sistema é mais complexo porque o metaverso é um hub de conteúdo e o espaço onde acontece a operação da venda. “Mas é um ponto que terá grande crescimento esse ano”, disse o CEO, complementando que o futuro do e-commerce passa pelo metaverso.
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Uma das vantagens de se utilizar a tecnologia no lugar de sites tradicionais, por exemplo, é a maior retenção do usuário. “A duração de uma sessão em um site é de 1 minuto e meio a 3 minutos. No metaverso, temos casos com mais de 100 mil acessos com duração superior a 30 minutos”, citou.
Outro ponto positivo é a grande geração de informação a partir da navegação do usuário, como saber o que mais o interessou e quanto tempo ele ficou em cada conteúdo. “Começa a ter um ajuste maior do conteúdo e dá para ser mais efetivo”. Além disso, a taxa de retorno é de cinco a seis vezes maior do que um portal tradicional.
Oportunidade para o Brasil
Para Perrone, essa pode ser a maior contribuição do Brasil no desenvolvimento do metaverso: a criação de conteúdo. “O Brasil ainda está muito longe nos building blocks do metaverso”, afirmou. O país não tem muitas empresas que trabalham no desenvolvimento de hardware e, em relação ao software, há algumas iniciativas. “Mas o elemento criatividade pode entrar como uma grande capacidade, na produção de software que facilite o processo de criação de conteúdo.”
A perspectiva do pesquisador é que o metaverso começará a se consolidar em 2025. Já a versão 2.0 da tecnologia precisará de infraestrutura, software e acesso à conectividade. “Vai demorar cerca de 10 anos para a gente notar uma gigantesca diferença entre o que foi a pandemia, em que muitas pessoas ficaram nas suas casas fazendo trabalhos digitais, para uma experiência em que talvez a principal forma de interagir no trabalho será por meio do metaverso.”