Huawei investe no Brasil mesmo diante de incertezas no 5G

Presente no país há 23 anos, a companhia realiza projetos de fomento à transformação digital e à capacitação de brasileiros.

583

Leer en español

Diante da pressão estadunidense para o Brasil prejudicar a participação da Huawei no leilão do 5G, a companhia chinesa não tem poupado esforços para mostrar seu valor para o país, por meio do fomento à transformação digital e de projetos educacionais, principalmente.

Há algumas semanas, a Huawei inaugurou o Ecosystem Innovation Technology Center (EITC), primeiro centro para experimentação 5G e Inteligência Artificial (IA) de São Paulo. Com um investimento de R$ 35 milhões, o espaço é conectado com rede 5G e está aberto para os parceiros da Huawei, sejam empresas, startups ou universidades, testarem novas soluções.

No mesmo local, a companhia lançou o T-Center (Trustworthy Center), um centro de segurança aberto, onde clientes, parceiros e o poder público poderão conhecer o processo de governança fim a fim da empresa.

“Todas as nossas tecnologias atendem aos mais elevados padrões globais e locais, e nossos produtos possuem mais de 270 certificações em segurança cibernética e proteção de dados”, assegurou Marcelo Motta, CSO da companhia para o Brasil e a América Latina, à DPL News. “Colocamos todos equipamentos à disposição para testes, dando suporte à tomada de decisão baseada em fatos, com fundamentação técnica e sem viés político e ideológico”.

A organização também prevê colocar em prática oito novos projetos piloto até o final deste ano, além dos que já estão em andamento nas áreas de agricultura, indústria, mineração, entre outras. 

Na iniciativa mais recente, os equipamentos Huawei habilitarão a rede móvel 4G NB-IoT para monitorar 32 bovinos, e a nuvem suportará o desenvolvimento de algoritmos com IA. Trata-se de um acordo entre a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e o CPQD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações).

Educação

A Huawei também é responsável por capacitar mais de 36 mil alunos e professores para o universo TIC (tecnologia da informação e comunicação) nos últimos 10 anos. A meta é treinar outros 40 mil nos próximos cinco anos, comentou Motta.

A organização já tem parceria com mais de 70 universidades brasileiras, vai doar 12 laboratórios de fibra óptica (FTTH/GTTX) para capacitar a geração nem-nem até o final do ano, e possui a plataforma Open Class, no Youtube, com cursos rápidos e gratuitos.

Os programas educacionais são relevantes no contexto brasileiro, pois o país capacita apenas 46 mil pessoas por ano para a área de TI, quando seria necessário contratar cerca de 70 mil profissionais por ano até 2024 para suprir a demanda do setor.

Participação no mercado

Se os projetos ainda não são suficientes para provar a importância da companhia para o Brasil, é possível verificar a presença da Huawei nas empresas brasileiras: “A Huawei está no Brasil há mais de 23 anos e ao longo de todos esses anos vem trabalhando em parceria com as grandes operadoras, milhares de ISPs e empresas locais, incluindo o próprio governo”, afirmou Motta.

O grupo Telefónica, por exemplo, alertou que seus fornecedores das redes 4G terão preferência nos equipamentos 5G. No Brasil, a Huawei detém 65% da rede 4G da Telefônica Vivo.

Em março, a companhia venceu um pregão para fornecer a nuvem pública dos órgãos federais, junto com os provedores AWS e Google. O site da companhia também ressalta que a parceria com o governo brasileiro ajudou as instituições públicas a se tornarem digitais, construindo sua primeira nuvem de governo eletrônico.

Implementação do 5G

Até o momento, o Brasil não restringiu a Huawei à implementação da rede 5G. Mas o ministro das Comunicações, Fábio Faria, indicou que é improvável ter os equipamentos da empresa na rede privativa da Administração Pública.

Ele disse que “filiados a partidos políticos ou pertencentes a uma cadeia de comando político, sejam de qual país for, não vão poder fornecer equipamento” para a rede privativa. Apesar de não citar a China, a medida pode ser um empecilho para a Huawei, cujo CEO, Ren Zhengfei, faz parte do Partido Comunista Chinês (PCCh).

Até a realização do leilão do 5G, resta saber se o governo brasileiro vai ceder à pressão estadunidense, baseada em acusações infundadas, ou se manterá a neutralidade tecnológica, beneficiando a própria população.