lunes, enero 30, 2023
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Como as telecomunicações podem se beneficiar do hidrogênio verde

Em entrevista à DPL News, Eduardo Ricotta, presidente da Vestas, disse que as operadoras devem ficar de olho no hidrogênio verde e que a América Latina tem potencial para ser um hub de produção e exportação do recurso

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Não é segredo que a indústria de telecomunicações é uma grande consumidora de energia. Isso traz consequências para o caixa das empresas com as altas contas de luz e para o meio ambiente, já que elas acabam utilizando fontes de energia que nem sempre são renováveis e que podem emitir altas quantidades de gás carbônico.

Algumas alternativas limpas já utilizadas são as fontes eólica e solar. A operadora Claro, por exemplo, estima que suas usinas de energia renovável abasteçam 80% da estrutura de baixa tensão até julho deste ano. Agora, o hidrogênio verde também se mostra promissor para essa e outras indústrias.

Vantagens do hidrogênio verde

Segundo Alejandra Mar, engenheira da Antel (Administração Nacional de Telecomunicações do Uruguai), o recurso tem as vantagens de ser abundante na natureza, não é tóxico, se dissipa rapidamente e, ao contrário das outras fontes renováveis, é armazenável

Ela também explica que, para produzir hidrogênio, é necessário energia. Se a fonte utilizada for limpa, como a eólica, o hidrogênio ganha o rótulo verde. Se for utilizado o gás natural, por exemplo, o processo resulta em hidrogênio e gás carbônico: este é o hidrogênio cinza.

Como seu processo de produção é totalmente limpo, o hidrogênio verde é mais um passo em direção à descarbonização do planeta, pilar importante da agenda ESG.

Eduardo Ricotta, presidente da Vestas na América Latina, lembra que ainda existe um apelo por parte dos consumidores, porque eles “querem saber de onde vem o consumo de energia quando você está fabricando uma cerveja, produzindo um carro, e quando ele está usando o serviço de telecomunicações”.

O executivo estima que, a partir de 2025, a fonte de energia utilizada será um fator decisivo para os clientes selecionarem as marcas das quais vão comprar produtos. “Acho que tem uma consciência cada dia maior da população de saber de onde vem a energia”, comentou.

Hidrogênio verde nas telecomunicações

Sendo uma empresa que monta parques eólicos, a Vestas está em posição oportuna para identificar quais indústrias estão de olho no hidrogênio verde. E Ricotta afirma que este não é o caso do setor de telecomunicações, mas pode ser o próximo passo. “A primeira fase é ter energia renovável para datacenters, para as antenas espalhadas pela América Latina e para as lojas”. O segundo passo só acontecerá quando o hidrogênio verde estiver disponível e “então migrar para ele”.

A aposta é que a indústria de transportes será a primeira a passar por essa transformação. “A gente vê empresas fazendo investimento em caminhões e ônibus para hidrogênio verde; fabricantes desenvolvendo aviões a hidrogênio verde; e navios com uma maior eficiência, com um número menor de abastecimento”, citou.

América Latina: potência de hidrogênio verde

Um estudo da McKinsey revelou que o Brasil é um dos países mais competitivos para a produção de hidrogênio verde, com o custo de aproximadamente US$ 1,50 por quilo de hidrogênio em 2030. A oportunidade total para o país é de US$ 15 a 20 bilhões em 2040, com a maior parte da receita vinda do mercado interno.

“A gente diz que [o Brasil] é a Disneylândia dos ventos, porque são fortes e com pouca turbulência. Então é ideal para a geração de energia”, explicou Ricotta. A grande extensão do país também é um ponto positivo para a produção de energia eólica, um dos insumos do hidrogênio verde.

“Outra questão é a tecnologia offshore, que complementa a onshore.” O recente decreto 10.946/2022, sobre a cessão de espaços físicos e o aproveitamento de recursos naturais para geração elétrica, foi uma medida importante para o desenvolvimento do Brasil em relação a energias renováveis.

Mas não é só o Brasil que pode se destacar na produção de hidrogênio verde. O executivo afirma que toda a América Latina, do México ao sul da Argentina, tem ventos espetaculares para a produção de energia. Além disso, a localização beneficia a relação comercial com os Estados Unidos, a Europa, Ásia e África. “Isso deixa a região em posição de destaque no cenário mundial para ser um hub de exportação de hidrogênio verde”, comentou.

“Eu não tenho dúvida que o hidrogênio verde será o petróleo do futuro”, disse Ricotta, complementando que as operadoras devem ficar atentas às possibilidades.

Mirella Cordeiro
Mirella Cordeiro
Editora, jornalista de temas digitais, de telecomunicações e tecnologia e correspondente da DPL News no Brasil e em português.

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