Para a Claro, as empresas interessadas em entrar no mercado regional e nacional de redes móveis devem “fazer bem as contas”. O CEO da operadora, Paulo César Teixeira, abordou o custo das redes durante o evento Teletime Tec, promovido nesta semana.
Segundo o portal Teletime, o executivo acredita que a operação de uma rede 5G é mais complexa do que as de fibra óptica, onde o modelo de fornecedores de serviços de Internet já é consolidado e os custos são relativamente baixos no Brasil.
A Claro foi a primeira a lançar o 5G via compartilhamento dinâmico de espectro (DSS, na sigla em inglês) no Brasil, tecnologia que já está disponível em 14 cidades e fornece velocidade cerca de 12 vezes mais rápida do que o 4G.
“Quem quiser entrar nesse mercado, entre, mas com a perspectiva de que não é fácil”, disse Teixeira, ressaltando uma “rentabilidade que não é das mais animadoras considerando o custo de capital”.
Sobre possíveis operadores de redes neutras móveis, ele comentou que há empresas interessadas e com recursos, mas o modelo dependerá de um cliente âncora que contrate a capacidade e viabilize o investimento.
Fibra óptica
Teixeira também falou sobre a expansão da cobertura de fibra da Claro e descartou a possibilidade de criar outra empresa para apoiar o crescimento na área, como fez a Vivo com a criação da FiBrasil e a TIM com a FiberCo.
“Somos os que falamos menos nesse aspecto, mas estamos trabalhando, e com a expansão de rede em andamento. Já divulgamos 2 milhões de homes-passed (HPs), que é a previsão para este ano”, comentou o executivo.
E explicou que a estratégia da operadora está baseada em modernização e avanço com fibra. Recentemente, a Claro atualizou a rede de cabo com DOCSIS 3.1, que permitiu o lançamento de planos de 500 Mbps na banda larga fixa.
“Foi feito um grande esforço por pequenos provedores, mas na hora que as grandes empresas chegarem com rede, vai fazer uma diferença enorme e gerar uma super oferta de fibra nos próximos anos”, acredita Teixeira.
Dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) indicam que o número de acessos de fibra óptica saltou de 10,22 milhões em 2019 para 17,04 milhões em 2020, ultrapassando os cabos metálicos e coaxial. O número corresponde a 46% de todos os acessos.
Apesar de possuir a maior fatia do mercado nacional em banda larga fixa, com 27,1%, a Claro possui 2,7% de participação do mercado em fibra, perdendo para a líder Vivo (20,1%), Oi (14,9%), Brisanet (3,6%) e Algar (3,2%). Os números são referentes ao mês de março de 2021.