Autoridades brasileiras receberam a delegação dos Estados Unidos, chefiada pelo conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan, nesta quinta-feira, 5. Uma das reuniões foi sobre segurança digital e da informação com o Ministro das Comunicações do Brasil, Fábio Faria.
“Tratamos prioritariamente de 5G. Trabalharemos conjuntamente para desenvolver soluções de Open RAN. Foi apresentado panorama do mercado global de fornecimento de chips para equipamentos de telecomunicações”, escreveu Faria no Twitter.
As autoridades concordaram sobre a importância da segurança da informação como fator-chave para garantir o crescimento econômico das empresas e a prosperidade da população, segundo a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil.
“Informações seguras são de relevância para todos nós. Empresas, indivíduos e nosso futuro econômico dependem disso”, declarou Douglas Koneff, encarregado de negócios estadunidense.
Nos últimos anos, os Estados Unidos têm pressionado diversos países, incluindo o Brasil, para não fazer negócios com a Huawei na implementação do 5G, sob o pretexto de adotar uma Rede Limpa da espionagem chinesa.
Com o leilão do 5G prestes a acontecer na maior economia sul-americana, é importante para o país de Joe Biden, que luta para manter a China em segundo lugar, ter o apoio brasileiro ao modelo de rede Open RAN.
O Open RAN permite a comunicação entre dispositivos de diferentes fornecedores. No Brasil, a maioria dos equipamentos 4G instalados são da Huawei, e a rede aberta ajudaria a aumentar a competitividade com outras fornecedoras para o 5G.
Outro lado da balança
Além da relevante participação nas redes de telecomunicações do Brasil, a Huawei se mostra ainda mais valiosa com os investimentos no país, seja em cibersegurança – em 2020, a companhia chinesa investiu R$ 48 milhões em segurança cibernética no Brasil – ou no fomento à transformação digital, com projetos de educação e pilotos nas áreas de agricultura, indústria 4.0, mineração, entre outros.
Recentemente, a companhia inaugurou o Ecosystem Innovation Technology Center (EITC), primeiro centro para experimentação 5G e Inteligência Artificial (IA) de São Paulo. No mesmo local, a Huawei lançou o T-Center (Trustworthy Center), um centro de segurança aberto, onde clientes, parceiros e o poder público podem conhecer o processo de governança fim a fim da empresa.
“Todas as nossas tecnologias atendem aos mais elevados padrões globais e locais, e nossos produtos possuem mais de 270 certificações em segurança cibernética e proteção de dados”, assegurou Marcelo Motta, CSO da companhia para o Brasil e a América Latina, à DPL News. “Colocamos todos equipamentos à disposição para testes, dando suporte à tomada de decisão baseada em fatos, com fundamentação técnica e sem viés político e ideológico”.
Ele acredita que “a racionalidade tem prevalecido”, já que a minuta do edital do 5G não impede que a Huawei forneça equipamentos à rede 5G. Mas, até a publicação do documento, o governo brasileiro tem duas opções: manter sua posição, beneficiando a livre competitividade dos fornecedores, ou ceder à pressão estadunidense.