“Pretendemos ser líder de qualidade e cobertura no 5G”: Marco Di Costanzo, diretor de Engenharia da TIM
No Brasil, o ano de 2022 ficará marcado pelo início da implementação do 5G. A TIM já ativou as primeiras antenas 5G Standalone para funcionar na frequência de 2,3 GHz e está se preparando para ativar a rede nas capitais brasileiras em julho, informou Marco Di Costanzo, diretor de engenharia da operadora, em entrevista à DPL News. “Nossa implementação do 5G irá ultrapassar largamente o mínimo de cobertura obrigatória do edital”, disse.
O executivo também mostrou que a TIM está dando atenção especial para o conceito de smart cities. A operadora se uniu à Huawei para fazer de Curitiba, no sul do país, uma cidade modelo. “Nosso propósito é ser líder no 5G, mas ter uma liderança orientada a prover soluções e aplicações que possam transformar a vida de nossos clientes, dos cidadãos nas cidades mais inteligentes e o modo de trabalhar das indústrias da cadeia produtiva nacional”.
Outro ponto importante para a TIM é o Open RAN. Segundo Di Costanzo, o modelo tecnológico de redes abertas e desagregadas gera mais competição, redução de preço – tanto para a operadora quanto para os clientes – e inovação. “Estamos com muita atenção no tema, já fizemos testes em laboratório e a TIM está totalmente interessada em compreender o estado de maturidade do Open RAN”.
Leia a entrevista completa:
DPL News: Quais são os planos da TIM para a implementação do 5G ao longo deste ano?
Marco Di Costanzo: A TIM está experimentando 5G Standalone na frequência 2,3 GHz, que é a única banda liberada comercialmente pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O uso massivo da outra banda, de 3,5 GHz, só poderá acontecer quando a Anatel liberar para uso comercial, o que é esperado que aconteça entre junho e julho ainda deste ano.
E a TIM está preparando a instalação das antenas 5G no 3,5 GHz para estar pronta assim que tiver a liberação para uso comercial desta banda.
DPL News: Quais são os objetivos da TIM para as faixas de 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz?
Marco Di Costanzo: As três bandas que você acabou de nominar – 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz – são as novas bandas outorgadas por meio do leilão do 5G no ano passado. Para que o 5G performe adequadamente e para que seja transformativo na vida das pessoas e das indústrias, é necessário utilizá-las. Então quais delas nós vamos usar? Todas as três, conforme a necessidade de cobertura e de capacidade, porque bandas diferentes se adequam a contextos diferentes em termos de capacidade que pode ser oferecida e em termos de cobertura.
As três serão utilizadas de forma virtuosa e coerentemente com o nosso plano de oferecer tanto banda larga móvel para clientes consumidores, no modelo B2C, como modelo B2B ou B2B2C, ou seja, para verticais, clientes empresas e redes privativas.
DPL News: Isso quer dizer que todas as bandas podem ser usadas tanto para B2B como para B2C?
Marco Di Costanzo: Exatamente. Não existe uma banda dedicada para uma tecnologia, é um mix de bandas. A engenharia de uso de espectro mais eficiente possível e compatível com o objetivo de atendimento é o que pode diferenciar uma operadora da outra.
DPL News: E a faixa utilizada faz alguma diferença para o consumidor final?
Marco Di Costanzo: Não. A grande maioria dos consumidores finais não é muito interessada pela banda que o está atendendo, mas em como sua vida será transformada.
A gente anunciou no começo de março um acordo com a empresa chinesa Huawei para fazer de Curitiba uma cidade modelo de 5G. As smart cities 5G vão mudar a vida dos clientes e dos cidadãos que moram nessa cidade.
Smart city é um conceito guarda-chuva em que eu identifico pelo menos cinco vertentes: residências smart ou smart homes; smart mobility, que é mobilidade urbana; segurança, com câmeras conectadas via 5G; educação e saúde.
Para estar em uma smart city você deve estar em uma smart residência e quando você se desloca dessa residência, você deve perceber uma mobilidade urbana melhorada. A segurança é parte da qualidade de vida, ter acesso à educação à distância ou presencial é um fator diferencial e, [a tecnologia] na saúde, permite ser atendido da melhor forma possível.
Essas cinco vertentes possuem várias soluções utilizando 5G, Internet das Coisas (IoT), blockchain, realidade aumentada, realidade virtual, Inteligência Artificial (IA), machine learning, edge computing, cloud computing. É um conjunto de ferramentas tecnológicas que usa várias frequências, mas que para o cliente final pouco importa essa complexidade tecnológica, o que importa é o quanto TIM transformará a vida dos clientes.
Um exemplo concreto de mobilidade urbana é conectar os semáforos com 5G e colocar câmeras, coletar informações de trânsito em tempo real e otimizar o sinal verde e vermelho dos semáforos com base na intensidade de trânsito.
Essa prova feita na cidade de Haifa, em Israel, com aplicação de Inteligência Artificial e machine learning da Google, reduziu 20% o tempo de deslocamento dentro da cidade. Além de ter menos deslocamento, é menos tempo perdido no trânsito, menos tempo parado nos cruzamentos, mais segurança e menos poluição, porque um carro parado em um sinal continua emitindo CO2.
DPL News: A TIM já está trabalhando em modelos de rede privativa 5G?
Marco Di Costanzo: Sim. Rede privativa é um dos modos de atender empresas que solicitam aplicações de conectividade muito avançadas em termos de tempo de resposta e de banda disponível.
Um exemplo que a gente está testando em campo é com a Stellantis, grande montadora de carros. Já temos casos de uso em funcionamento na planta industrial de Goiana, em Pernambuco, que está robotizada utilizando 5G SA. Também temos casos de uso 5G SA com a Enel, que é uma grande provedora, distribuidora e transportadora de energia elétrica.
O 5G tem o objetivo de continuar atendendo melhor o mercado consumidor com banda larga móvel, mas também mercados verticais por meio de IoT.
DPL News: Como a TIM garante a segurança da rede no 5G?
Marco Di Costanzo: O que eu posso comentar é que, na padronização do 5G, o 3GPP nativamente implementa protocolo de segurança que visa garantir a proteção contra ataques hacker, ataques ransomware.
Significa que isso nos deixa imune? Ninguém é imune a esse tema, mas posso te garantir que o 5G nativamente é concebido por protocolos muito mais sólidos do que as redes anteriores. Assim como é possível dizer que a próxima rede será ainda mais sólida. O 5G tem um protocolo de segurança bem restritivo.
DPL News: A TIM prevê a incorporação do Open RAN na nova rede?
Marco Di Costanzo: Estamos estudando com grande atenção e profundidade o Open RAN. É uma tecnologia de grande interesse para a TIM, pois o Open RAN gera duas grandes mudanças: arquitetural, porque o hardware é desacoplado do software, e o software pode ser adquirido de diferentes fornecedores.
Isso vem com um pouco de complicação a mais porque precisa gerir vários fornecedores ao mesmo tempo, mas a perspectiva do Open RAN é muito interessante na óptica de gerar mais competição, redução de preço e inovação, em benefício dos clientes, porque tem um efeito positivo na redução dos preços das ofertas que a TIM passa aos clientes. E, quando você abre competição para vários atores, gera competitividade e competitividade gera inovação. Essa é a parte boa do modelo.
Estamos com muita atenção no tema, já fizemos testes em laboratório e a TIM está totalmente interessada em compreender o estado de maturidade do Open RAN.
DPL News: Qual é a perspectiva da empresa com o lançamento do 5G?
Marco Di Costanzo: Não estamos divulgando números. Até porque a definição da data [de lançamento do 5G na faixa de 3,5 GHz] de junho e julho ainda é uma premissa a ser confirmada. Se a data for antecipada ou postergada, o plano do ano pode vir a mudar.
O que podemos afirmar é que a nossa implementação do 5G será bem maior do mínimo que a Anatel definiu como obrigação de cobertura 5G, irá ultrapassar largamente o mínimo de cobertura obrigatória do edital.
A TIM é líder desde 2016 de cobertura e qualidade 4G, pretendemos ser líder de qualidade e cobertura também no 5G. Nosso propósito é ser líder, mas ter uma liderança orientada a prover soluções e aplicações que possam transformar a vida de nossos clientes, dos cidadãos nas cidades mais inteligentes e o modo de trabalhar das indústrias da cadeia produtiva nacional.