sábado, septiembre 24, 2022
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Petrobras: Conectividade viabilizará um grande parque digital submarino

A companhia investe em rede privativa LTE, 5G e em fibra óptica, que permitirão a utilização de Gêmeos Digitais, robôs autônomos submarinos e comunicação WiFi no fundo do mar.

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A Petrobras é uma das empresas brasileiras que investem em redes privativas LTE e 5G. Recentemente, a companhia anunciou que prevê conectar com 5G 29 plataformas de produção e 17 unidades em terra (refinarias, térmicas, armazéns, portos, processamento de gás) até 2024.

Para isso, a  Petrobras está instalando mais de 1.600 km de fibra óptica ao longo das bacias de Campos, no Rio de Janeiro, e de Santos, em São Paulo. A previsão é que as obras sejam concluídas até o fim de 2023.

Desde o quarto trimestre do ano passado, a empresa também usa uma rede LTE privativa nas frequências de 700 e 1.800 MHz, afirmou um porta-voz à DPL News por e-mail. A Petrobras utiliza os modelos de rede própria e em parceria com operadora de telecomunicações.

Com esse salto de conectividade, será possível elevar o nível de transformação digital, segundo a empresa. O desafio para os próximos anos será construir um grande parque digital submarino, com operações autônomas no fundo do mar, que poderão eliminar o uso de embarcações nas operações offshore, e aplicação intensa de robôs submarinos, por exemplo.

A consultoria McKinsey estima que a combinação do 5G e satélites de baixa órbita (LEO) tem potencial de gerar ganhos de até US$ 70 bilhões para a indústria de petróleo e gás global nos próximos anos.

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Leia a entrevista:

Mirella Cordeiro: A Petrobras tem algum projeto em andamento com o uso de rede privativa em 4G/LTE? Quais são as frequências utilizadas?

Petrobras: Sim. A Petrobras está implantando uma rede LTE privativa em diversas localidades onshore (refinarias, térmicas, armazéns, portos, processamento de gás) e offshore (plataformas). As frequências são 700 e 1.800 MHz.

MC: Há quanto tempo a rede é utilizada?

Petrobras: Desde o quarto trimestre de 2021.

MC: Como a rede privativa é utilizada?

Petrobras: Como pilar fundamental da transformação digital da companhia, habilitando a mobilidade operacional por meio do uso de tablets, PDAs (assistente pessoal digital), capacetes conectados, realidade mista/aumentada e conectando Internet das Coisas (IoT) e  Internet das Coisas Industrial (IIoT).

MC: Quais são as outras iniciativas de transformação digital da Petrobras?

Petrobras: Na linha de conectividade de longo alcance, a Petrobras ampliou em 100x a capacidade de parte da rede de fibra óptica submarina da Bacia de Campos, a primeira do mundo para ativos de óleo e gás. E assinou, no final do ano passado, contratos para construção de mais de 1.100 km de novos cabos ópticos submarinos para o Pré-Sal da Bacia de Santos, o equivalente à distância entre Rio de Janeiro e Florianópolis. 

Essa nova rede levará o pré-sal ao próximo nível de evolução da transformação digital, viabilizando iniciativas como Gêmeos Digitais, monitoramento sísmico permanente e operação e monitoramento remoto das plataformas, além de melhorar o desempenho das atuais operações, como a telemedicina offshore. Para unidades marítimas móveis, o mercado aposta na solução inovadora de satélites LEO, cujo serviço deve iniciar no Brasil ainda neste ano.

O desenvolvimento dessa infraestrutura é um dos viabilizadores para construir um grande parque digital submarino, o qual demanda ainda soluções inovadoras que deverão ser desenvolvidas para suportar novas concepções de sistemas submarinos, tornando-os inteligentes através da incorporação de um número maior de sensoriamento e instrumentação capazes de monitorar remotamente e em tempo real a integridade e desempenho dos ativos submarinos, com alto padrão de segurança.

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Como desafio para os próximos anos, operações no fundo do mar tendem a ser autônomas a partir da aplicação intensa de robôs submarinos, do tipo AUV (veículos autônomos submarinos, na sigla em inglês) com objetivo de reduzir ou eliminar o uso de embarcações nas operações offshore e, até mesmo, de robôs humanoides capazes de mergulhar e executar atividades de manipulação avançada, aumentando a segurança através da redução a exposição ao risco dos nossos mergulhadores.

Além disso, aplicação de ferramentas disruptivas como Gêmeos Digitais, que simulará e monitorará virtualmente os sistemas físicos, e a comunicação WiFi submarina, que criará a conectividade sem fio entre os equipamentos, transformarão o leito submarino em uma nova fronteira, permitindo a construção de um novo cenário para a exploração submarina.

MC: Quais são as vantagens de usar a conectividade e outras tecnologias nos processos da Petrobras?

Petrobras: De um modo geral, a aplicação dessas tecnologias associadas à otimização de processos e transformação da cultura culminam em ganhos na eficiência operacional com aumento de produção de óleo e gás nas unidades que dispõem de conectividade avançada, assim como redução de HH (homem-hora) exposta a risco e de TAR (Taxa de Acidentes Registráveis), métrica de topo do Plano de Negócios 2022-2026.

Os impactos são múltiplos, como migração para operações paperless no segmento logístico, aumento de eficiência operacional, melhoria na segurança, uso ainda mais intenso de operações remotas, obtenção de mais dados das plantas industriais para alimentar repositórios e algoritmos de Inteligência Artificial e Machine Learning, algoritmos preditivos, entre outros.

Mirella Cordeiro
Mirella Cordeiro
Editora, periodista de temas digitales, telecomunicaciones y tecnología y corresponsal de DPL News en Brasil y lengua portuguesa. Editor, jornalista digital, de telecomunicações e tecnologia e correspondente do DPL News no Brasil e em português.

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