O macrossetor de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) no Brasil cresceu 9,3% em 2022, na comparação com o ano anterior, chegando a R$ 653,7 bilhões. O valor correspondeu a 6,6% do produto interno bruto brasileiro, segundo o relatório setorial da Brasscom (Associação das Empresas de TIC e de Tecnologias Digitais), apresentado nesta quinta-feira, 18.
O macrossetor é composto pelos setores: TIC, que produziu R$ 306,2 bilhões; TI in house (empresas de outras áreas que fazem o uso intensivo da tecnologia dentro de casa), com R$ 69,8 bilhões; e telecomunicações, que produziu R$ 277,7 bilhões.
“A Brasscom tem a visão de que o Brasil pode ser impulsionado fortemente em termos de crescimento econômico e de inclusão social pelo crescimento da TIC”, afirmou o presidente executivo da Brasscom, Affonso Nina.

Ele explicou que, por um lado, a TIC suporta o crescimento de vários setores, como o agronegócio e o setor financeiro, e que por isso pode impulsionar o crescimento econômico.
Por outro, a geração crescente de empregos qualificados, inclusive fora dos eixos econômicos tradicionais e com média salarial acima da média nacional, pode ajudar na inclusão social.
A média salarial do macrossetor TIC é 2,2 vezes maior do que a média salarial nacional. Quando comparado apenas os serviços de alto valor e software, a média salarial é de 2,8 vezes a média nacional.
Brasil contrata mais profissionais do que demite
O macrossetor TIC gerou 117 mil empregos em 2022, uma redução de 40,9% na comparação anual. Apesar da desaceleração, o Brasil continua contratando mais do que demitindo pessoas na área de tecnologia, apontou Nina.
“Há desaceleração do aquecimento, mas é natural porque houve um grande crescimento de 2019 para 2020 e de 2020 para 2021. Essa conjuntura é esperada”, pontuou.
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O setor TI in house se destacou no número de contratações. Isso se deu porque, com a pandemia, as empresas de diversas áreas perceberam que a transformação digital é importante, portanto começaram a contratar mão-de-obra para atividades estratégicas.
Além disso, “a TIC hoje permeia as atividades econômicas e a vida do cidadão de uma forma muito diferente do que era 10 anos atrás. Hoje as empresas precisam mais de tecnologia”, explicou Nina.
O executivo também apresentou os números do primeiro trimestre de 2023, que mostram 7,7 mil contratações no período.
Diversidade no mercado de TIC
Em relação à diversidade, o relatório apontou que a presença de profissionais mulheres no setor TIC é de 39%. No ano passado, foram contratadas 32,6 mil mulheres, o equivalente a 45% dos empregos gerados. A média salarial delas, de R$ 2.694, ainda é menor em relação ao dos homens, de R$ 3.880.
O presidente da Brasscom acredita que a tendência é diminuir esse gap à medida que mais mulheres se formam na área de tecnologia e são contratadas, pois atualmente os salários de posição sênior são de homens.
Em 2022, foram contratadas 30 mil pessoas negras, o que corresponde a 41% dos empregos. A contratação de mulheres negras teve um crescimento de 5,9%, 0,9 pontos percentuais acima dos homens negros.
Além disso, o setor TIC tem 9,3 mil profissionais com alguma deficiência, o que equivale a 0,8% dos empregados e 0,1 ponto percentual acima da média dos demais setores.
Perspectiva
A perspectiva da Brasscom é que o macrossetor continue crescendo até 2026, com um avanço de 51,2% na área de software, 22% em hardware, 20,9% em serviços e 5,9% em telecomunicações.
Mais especificamente Nuvem (28%), Inteligência Artificial (20%) e Redes Sociais (15%) prometem grandes avanços no período.