Brecha de segurança no IoT pode ser trágica para o agronegócio

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A digitalização do agronegócio está abrindo a porta para outra discussão: a segurança da informação nesta vertical. No evento AGROtic desta quinta-feira, 12, os painelistas comentaram que o agronegócio está começando a perceber a importância do investimento em segurança, mas que ainda existem grandes desafios, como aumentar a presença entre os médios e pequenos produtores e a brecha na Internet das Coisas (IoT).

Maria Ane Dias, arquiteta de soluções especialista em Segurança da AWS, explicou que o agronegócio tem voltado sua atenção para o tema da segurança porque, na pandemia, mais empresas migraram rapidamente para o digital e chamaram a atenção de quadrilhas digitais. Como o setor é responsável por 27,4% do produto interno bruto brasileiro, é natural que ele se destaque ainda mais aos olhos dos criminosos.

Além do risco, os painelistas apontaram a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) e a adoção de medidas de segurança por grandes empresas como impulsionador para a cadeia produtiva também aderirem a essas boas práticas.

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Para José Reynaldo Formigoni Filho, gerente de Soluções Blockchain do CPqD, um grande desafio ainda é o médio e o pequeno produtor, pois as companhias já estão cientes da importância do tema de segurança. 

“O médio e o pequeno produtor precisam desse trabalho de ‘evangelização’. Lembrando que segurança não é só tecnologia, é processo e pessoas. A ponta que gera informação para as soluções têm que ter um cuidado especial”, comentou Formigoni.

IoT

Outro ponto essencial levantado por ele é a segurança em IoT, que está entrando no campo. “O desafio é que o dispositivo tem que ser identificado e a segurança desse processo de identificação é essencial”, afirmou. “O Brasil tem muito problema de segurança de IoT porque a maioria das câmeras e gravadores vem com a identidade aberta.”

O diretor de Engenharia da Fortinet Brasil, Alexandre Bonatti, lembrou que os sensores também não têm capacidade computacional para a instalação de um antivírus, por exemplo, o que os deixa mais expostos. Ele também destacou que o risco de uma invasão remota nos sensores pode desregular todo o sistema de verificação de umidade, de iluminação, de fertilizantes, e pode fazer perder uma safra inteira.

Alexandre Murakami, diretor da unidade de Segurança da Logicalis, defendeu que a falta de padronização desses sensores dificulta o trabalho dos fabricantes de prover segurança para os equipamentos.

O evento AGROtic é promovido pelo Tele.síntese.