ūüé§#Entrevista | Por que o Brasil √© campe√£o em ataques cibern√©ticos

Fernando Zamai, líder de Cibersegurança da Cisco, explicou por que o país sofre com tantos ataques cibernéticos, o que pode ser feito para melhorar a situação e qual será o efeito do 5G em cibersegurança.

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O Brasil recebe uma m√©dia de 1.390 ataques cibern√©ticos por minuto, segundo um relat√≥rio recente da Kaspersky. O levantamento mostra que at√© agosto de 2021, as amea√ßas no pa√≠s aumentaram 23% em compara√ß√£o ao ano anterior. S√≥ no √ļltimo m√™s, algumas grandes empresas afetadas foram a Atento, a seguradora Porto Seguro e o grupo de viagens CVC.

Para Fernando Zamai, l√≠der de Ciberseguran√ßa da Cisco do Brasil, as principais raz√Ķes para o pa√≠s ser t√£o visado pelos cibercriminosos s√£o pelo fato de ser um grande consumidor de tecnologia; criador de ciberataques; e um pa√≠s que investe pouco em ciberseguran√ßa. Essas caracter√≠sticas associadas criam um ambiente prop√≠cio para as amea√ßas online.

A adesão dos brasileiros à tecnologia pode ser evidenciada pelo tempo que nós passamos nas redes sociais, por exemplo. São 3h42 por dia, ficando somente atrás dos filipinos (4h15) e dos colombianos (3h45), de acordo com um estudo divulgado pela plataforma Cupom Válido, que reuniu dados da Hootsuite e da WeAreSocial.

‚ÄúTamb√©m somos l√≠deres em criar ataques e burlar sistemas. A fraude banc√°ria no Brasil √© muito alta‚ÄĚ, comentou Zamai √† DPL News. Ele explicou que os bancos do pa√≠s est√£o entre os mais digitalizados do mundo e, hoje, o mercado financeiro brasileiro √© o setor que mais investe em ciberseguran√ßa, justamente pelos ataques sofridos ao longo do tempo.

‚ÄúQuando a gente olha para os hospitais, escolas e manufatura, eles n√£o est√£o acostumados a isso. Esses setores est√£o passando pela transforma√ß√£o digital agora, mas n√£o passaram por anos de ataques que os bancos j√° sofreram. Ent√£o falta investimento em ciberseguran√ßa‚ÄĚ, disse.

A boa not√≠cia √© que este cen√°rio est√° mudando. Zamai reconhece que as organiza√ß√Ķes j√° est√£o liberando mais investimentos para o segmento. O pr√≥ximo passo √© aplicar esses recursos de forma eficiente.

‚ÄúEm primeiro lugar, as empresas deveriam entender em qual √Ęmbito √© debatido ciberseguran√ßa. Se a ciberseguran√ßa √© debatido no setor da √°rea t√©cnica, abaixo da √°rea de tecnologia, ela est√° entendendo que ciberseguran√ßa √© um problema de tecnologia‚ÄĚ, explicou.

‚ÄúPor outro lado, pela minha experi√™ncia, as empresas mais maduras enxergam a ciberseguran√ßa como uma decis√£o de neg√≥cio‚ÄĚ, disse Zamai. Nesse caso, o respons√°vel pelo setor est√° no n√≠vel executivo e paralelo √† √°rea de tecnologia.

‚ÄúEssa √© uma evolu√ß√£o natural que eu vejo acontecer. E por que debater no n√≠vel executivo? Porque esse n√≠vel executivo vai atrair investimentos‚ÄĚ, justificou.

Pelo lado do governo, Zamai defende que o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) são duas vitórias para tornar o ambiente digital do país mais seguro, mas as iniciativas podem ser mais ágeis. A LGPD ainda não aplica multas, por exemplo.

‚ÄúQuando as organiza√ß√Ķes come√ßam a sofrer os impactos das multas, naturalmente os investimentos em ciberseguran√ßa v√£o come√ßar a acontecer. Infelizmente, muitas [empresas] esperam ser punidas para come√ßar o investimento. Ent√£o acredito que o governo tem que ser um pouco menos t√≠mido, mais √°gil.‚ÄĚ

5G

Questionado quanto aos efeitos do 5G na seguran√ßa cibern√©tica, Zamai explicou que a nova gera√ß√£o da rede n√£o vai necessariamente aumentar as brechas de vulnerabilidade nos ambientes corporativos ou pessoais, mas ‚Äúo 5G vai trazer uma complexidade um pouco maior‚ÄĚ.

Ele defende que a tecnologia vai aumentar a ruptura de per√≠metro que j√° se intensificou com a pandemia de Covid-19. Quer dizer, as empresas possuem um espa√ßo onde os dispositivos s√£o protegidos, mas a pandemia rompeu esse limite geogr√°fico porque fomos obrigados a fazer quase todas as atividades de casa. ‚ÄúIsso j√° √© um desafio para a ciberseguran√ßa”, afirmou.

‚ÄúMuitos dos incidentes que a gente est√° vivendo √© justamente porque houve a ruptura do per√≠metro, com todo mundo trabalhando de casa e acessando a nuvem. E o 5G vai aumentar o trabalho remoto.‚ÄĚ

Ele ainda citou o exemplo da Apple, que est√° vislumbrando um laptop com chip 5G: ‚ÄúSe eu tenho um chip 5G no meu laptop, por que que eu tenho que me conectar na empresa? No momento que eu tenho uma conex√£o r√°pida, robusta e com pre√ßo acess√≠vel, eu posso abrir m√£o de outras conex√Ķes‚ÄĚ, explicou. Esse √© o desafio extra que o 5G vai trazer: intensificar a mobilidade.

Para manter a seguran√ßa dos dispositivos, a Cisco vem investindo em um portf√≥lio inovador rico em nuvem, informou Zamai. ‚ÄúTemos que levar prote√ß√£o para onde as pessoas est√£o acessando. Se elas est√£o acessando a nuvem, a prote√ß√£o tamb√©m tem que ser no formato nuvem.‚ÄĚ

A companhia tamb√©m vem destinando recursos em intelig√™ncia de ciberseguran√ßa, principalmente por meio do grupo Cisco Talos e, recentemente, a empresa inaugurou o  CyberHub em S√£o Paulo, um espa√ßo para ‚Äúpromover inova√ß√£o e coopera√ß√£o no tema cyber, e trazer startups para esse debate‚ÄĚ.