O papel das mulheres e de outros grupos minorizados são essenciais para empresas de telecomunicações e tecnologia, defende Suzana Tonin, Head of Organization and Talent Readiness para EMEA y LatAm da American Tower. “Tudo o que tem a ver com a nossa indústria [de telecomunicações] e com conectividade, parte do princípio que se está impulsionando para o novo. E você não consegue ter inovação se não tiver perspectivas diversas”.
Em entrevista à DPL News, a executiva diz que é possível ser bem sucedido mantendo a mesma forma de pensar, “mas se você está em uma indústria onde tem que pensar além do nosso tempo, é muito importante ter esse pensamento diverso.”

O problema é que a realidade não é tão diversa assim. No Brasil, as mulheres representam 45% do total de trabalhadores formais, mas são só 26% no mercado de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).
Para Tonin, os desafios vêm desde a formação educacional, porque essas áreas ainda sofrem com a falta de mulheres nos cursos das universidades e de especialização. Desde a formação, a quantidade de homens que se direcionam para esse setor é bastante superior ao de mulheres.
Ela acredita que isso acontece porque a maioria das meninas, desde pequenas, não são estimuladas a lidar com tecnologia. “As escolhas acontecem por aptidão, mas também por conta de estímulo, e a gente estimula menos o gênero feminino a lidar com brinquedos que tenham uma ligação com tecnologia”, afirmou.
Uma outra questão é que “as meninas veem menos inspirações de mulheres nessas carreiras para olharem e falarem ‘nossa, gostaria de ser como essa mulher’. São questões muito estruturais e culturais que dificultam esse processo”.
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Para reverter esse quadro, Tonin acredita que o estímulo às meninas deveria ser mais amplo, “principalmente na educação básica, e divulgar cada vez mais papéis de mulheres inspiradoras nessas áreas”.
Outras ações para mudar esse cenário devem partir das empresas. A American Tower do Brasil, por exemplo, pretende aumentar o número de mulheres em cargos de liderança em 50% até 2025. A companhia também aderiu ao Movimento Mulher 360 para mostrar o comprometimento com a causa e aprender boas práticas com a experiência de mais de 80 empresas que participam da iniciativa.
Neste mês da mulher, a empresa ainda tem promovido conversas para compartilhar histórias de mulheres inspiradoras, que são funcionárias da American Tower, e publicado no LinkedIn para ter um alcance maior.
“É um mês para a gente ficar muito satisfeita com o que já aconteceu, mas entender que ainda tem um longo caminho pela frente e que a gente precisa estar junto nisso, se apoiando, fazendo ações afirmativas, para que essa evolução continue”, concluiu.
Trajetória
Apesar de atuar com Recursos Humanos atualmente, Tonin é um exemplo de mulher que ingressou no mercado STEM. Ela é formada em engenharia química e, no início de carreira, passou pelo ramo industrial, voltado para indústrias químicas, de gases e de alimentos.
Foi em um desses empregos que ela teve a oportunidade de fazer a transição de carreira e, depois, trabalhou no setor de serviços, até que foi chamada para conhecer a American Tower. Já são 10 anos de casa desde então.
De ponto fora da curva por ser mulher em um ambiente masculino, agora ela ajuda a transformar essa realidade dentro da empresa.