A TIM espera uma criação de valor entre R$ 16 e 19 bilhões com a integração de parte da Oi Móvel, com 45% captados até 2030. A operadora é a principal beneficiada pela compra da Oi Móvel, que aconteceu em conjunto com Claro e Vivo.
Os detalhes da transação foram apresentados nesta segunda-feira, 25, em uma conferência realizada por Alberto Griselli, CEO da TIM Brasil. Segundo Griselli, cerca de R$ 5 bilhões serão gerados pela parte comercial, devido ao aumento de escala e diluição de custos fixos, à migração para níveis de churn (taxa de cancelamento dos clientes) mais sustentáveis, à criação de novas oportunidades de receita, entre outros. A expectativa é que demore de 6 a 12 meses para a operadora começar a se beneficiar materialmente de efeitos adicionais.
Entre R$ 12 e R$ 13 bilhões serão criados pela infraestrutura adquirida. O espectro e a rede que eram da Oi reduzirão as necessidades capex e opex para melhorar a qualidade do serviço.
Outros R$ 1 bilhão são esperados por efeitos tributários e desligamento de sites, pois 60% dos 7,2 mil estruturas compradas estão sobrepostas com as da TIM, o que vai permitir a desativação dos sites até 2030. A maior parte deles, 3,5 mil, serão descomissionados até 2024.
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Acordo com a Oi
A TIM receberá 16,4 milhões de clientes da Oi Móvel, sendo que cerca de 44% deles é assinante da modalidade pós-pago e, o restante, do pré-pago. A operadora ainda ficará com 54% do espectro da Oi, o que corresponde a 49 MHz entre frequências das bandas de 900 MHz, 1.800 MHz, 2.100 MHz e 2.600 MHz, e 2,8 mil sites adicionais líquidos.
O valor da operação com a TIM é de R$ 6,98 bilhões. Deste total, R$ 634,33 milhões foram retidos por 120 dias para eventuais ajustes de preço adicionais. A compradora também pagou R$ 250,72 milhões por até 12 meses de prestação de serviços na fase da transição e assinou um contrato com a V.tal pela capacidade de infraestrutura de transporte por R$ 473 milhões.
A Oi ainda pode receber até R$ 230 milhões se bater metas até março de 2023 relacionadas às radiofrequências e à base de clientes envolvidas na transação. Deste valor, a TIM já pagou R$ 60 milhões.
“Nós vemos a transição como um divisor de águas para a TIM, nós vamos nos tornar um player nacional ainda mais robusto”, disse Griselli. A companhia estima que a participação de mercado nacional passará de 20% para 27% e a base de clientes incorporada aumentará a presença da TIM em regiões onde ela tinha menor market share.
Outro fator importante é que a TIM passará a ser líder em capacidade de espectro por clientes (excluindo a faixa de 26 GHz), líder em cidades cobertas e em população servida.

Jornada do cliente
De acordo com a TIM, a primeira fase da migração dos clientes acontecerá nos primeiros três meses após o fechamento do negócio. Neste período, a rede móvel da TIM será aberta aos novos clientes, mas os usuários ainda serão cobrados pelos sistemas da Oi.
O segundo passo acontecerá nos nove meses seguintes com o atendimento ao cliente e a migração de back-office. “Essa parte da jornada vai acontecer em ondas e os clientes serão comunicados durante o processo”, comentou o CEO da TIM Brasil.
A terceira fase será para melhorar a experiência dos usuários, com a oferta de serviços como C6 Bank e os aplicativos Deezer, Netflix, HBO Max, entre outros. A expectativa é que esse diferencial aumente a receita média por usuário (ARPU) da operadora, porque o ARPUda Oi, que será integrado ao da TIM, é de aproximadamente R$ 14,60 e diluirá o atual ARPU da TIM, de R$ 27,70.