São Paulo. Um data center por ano, por três anos, começando ainda em 2026. Esses são os planos da Qualcomm para entrada nesse mercado no Brasil. Luiz Tonisi, presidente da companhia para a América Latina, afirmou durante o evento Qualcomm Innovation Summit desta terça-feira (5), que o anúncio com maiores detalhes de sua estratégia virão em 24 de junho, durante o Investor Day.
Segundo o executivo, o foco estará em infraestrutura voltada à inferência de inteligência artificial, mirando desde grandes empresas até aplicações mais distribuídas. A companhia já mantém conversas com parceiros, incluindo operadoras e integradores, para viabilizar o modelo no país, embora ainda sem definições públicas.
“A gente está buscando exatamente isso: como mover workloads de inferência para atender empresas e consumidores por data centers nossos, usando canais de vendas”, disse.
Em clima de descontração durante o painel de abertura, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira, disse que a empresa já pode aprovar o orçamento para as instalações, diante da política de incentivos, o Redata.
Tonisi indicou que a aposta passa por tornar o uso de IA economicamente viável em larga escala, com custos inferiores aos modelos atuais baseados em GPU, e com oferta adaptada a diferentes perfis de clientes.
A estratégia também envolve criar casos de uso prontos e comercializáveis, conectando desenvolvimento, infraestrutura e demanda empresarial ao invés de apenas ofertar capacidade bruta de processamento.
O executivo defendeu ainda que o Brasil avance na criação de tecnologia própria, em vez de apenas adaptar soluções externas. Para ele, o país precisa desenvolver capacidades locais, especialmente em setores estratégicos, se quiser alcançar maior protagonismo global.
“O Brasil vai ter que aprender a criar tecnologia, porque não existe nenhum país desenvolvido no mundo que não crie sua própria tecnologia”, afirmou. Para Tonisi, a dependência de insumos e sistemas estrangeiros limita o avanço, inclusive em áreas como o agronegócio, e reforça a necessidade de maior autonomia tecnológica.