A pesquisa TIC Domicílios 2022 mostrou que o acesso à Internet se manteve praticamente estável em relação a 2021, com 60 milhões de casas conectadas, o que representa 80% dos lares brasileiros. O levantamento foi lançado nesta terça-feira, 16.
A maior parte dos domicílios tem acesso por fibra óptica (38 milhões), mas o tipo de conexão varia de acordo com a região do país. Por exemplo, 72% do acesso na região sul é feito por fibra e, na região norte, o número cai para 58%. A região norte tem a maior proporção de acesso por dados móveis, com 27%.

Entre os 15 milhões de domicílios que não têm acesso à internet, o principal motivo é o preço, pois 28% dizem que o serviço é muito caro, seguido por falta de habilidade, emocionado por 26%. Falta de interesse vem em terceiro lugar, com 16% das respostas.
Usuários de Internet
A TIC Domicílios ainda avaliou o uso da Internet por usuários com mais de 10 anos. O cenário encontrado também foi de estabilidade em relação a 2021: são 149 milhões, o que corresponde a 81% da população com 10 anos ou mais.
“Pensando em questão de conectividade significativa, é importante olharmos para a frequência do uso da Internet”, disse o coordenador da pesquisa, Fábio Senne. Cerca de 142 milhões se conectam todos os dias ou quase todos os dias, outros 7 milhões usam com outra frequência e 36 milhões não são usuários.
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O celular é o dispositivo mais usado para acessar à Internet, sendo que 62% das pessoas usam exclusivamente o celular. Nesse caso, as maiores proporções são na zona rural (78%) e principalmente entre as classes C (68%) e DE (84%).
“Onde há alguns indícios de maiores barreiras ao acesso, são os mesmos estratos onde temos a maior proporção de usuários de internet que acessam exclusivamente pelo celular”, comentou Senne.
Entre os dispositivos mais utilizados, o celular tem o primeiro lugar (99%), seguido pela televisão (55%) e o computador (38%).
Não usuários de Internet
Os resultados mostram que a falta de habilidade com computador foi o motivo mais citado entre as pessoas que nunca acessaram à Internet (69%). O segundo motivo mais mencionado foi a falta de interesse (63%).
Dos 36 milhões de indivíduos que não usam Internet, a maioria (29 milhões) vive na área urbana, estudou até o ensino fundamental (29 milhões) e pertence à classe DE (19 milhões).

Habilidades digitais
Esta foi a primeira edição da pesquisa que investigou as habilidades digitais dos usuários. Do total, 51% disse que já verificou se uma informação encontrada na Internet era verdadeira; e 47% adotou medidas de segurança, como senhas fortes ou verificação em duas etapas.
A pesquisa também revelou que as pessoas que acessam a Internet apenas pelo celular fazem essas habilidades em menor proporção. Já os usuários que acessam por meio de mais de um dispositivo (computador e celular) realizam essas habilidades em maior proporção.
A coordenadora do CGI.Br, Renata Mielli, ressalta que a TIC Domicílios “permite entender as nuances de uso da Internet no país e guiar a produção de políticas públicas em várias áreas, não só as que buscam ampliar o acesso, mas também as que contribuam com a conectividade significativa e o desenvolvimento de habilidades digitais”.