Impostos e letramento digital travam avanço do 5G no Brasil, diz Gebara CEO da Vivo

Brasília. O presidente da Vivo (Telefônica Brasil), Christian Gebara, afirmou que o principal gargalo para a expansão do 5G no Brasil deixou de ser cobertura e passou a ser acesso. Segundo o executivo, a elevada carga tributária sobre smartphones e serviços de telecom, somada ao baixo letramento digital da população, limita o avanço da conectividade no país mesmo diante da ampliação da infraestrutura.

“O problema do Brasil não é cobertura. No 4G chegamos praticamente a 100% da população coberta. No 5G, já somando, com certeza, perto de 70% da população.”, afirmou durante o Painel Telebrasil, evento organizado pela Conexis Brasil Digital, representante das principais operadoras do país.

O executivo afirmou ainda que apenas 30% da base da operadora possui aparelhos compatíveis com a nova geração móvel e criticou a tributação incidente sobre o setor. Argumentou que os impostos sobre dispositivos podem chegar a 37%, enquanto a carga sobre os serviços supera 30%, acima da média de países que aceleraram políticas de digitalização.

Gebara também citou dados do IBGE para embasar que a exclusão digital no Brasil está mais relacionada à falta de capacitação do que à ausência de rede. “Mais de 50% das pessoas dizem que não sabem para que utilizar a internet ou não têm letramento digital. Não dá para querer ser um país digital sem melhorar isso”, afirmou.

O executivo também destacou o uso crescente de inteligência artificial para ganho de eficiência operacional, com aplicações em atendimento ao cliente, leitura automatizada de editais e manutenção preditiva de redes. “A inteligência artificial traz uma pressão muito grande na redução de custos”, afirmou.

Na avaliação do CEO, a expansão da infraestrutura segue como base da estratégia da companhia. A Vivo soma atualmente 31 milhões de domicílios passados com fibra e cerca de 8 milhões de clientes conectados na tecnologia. 

A partir dessa estrutura, a empresa busca ampliar a oferta de serviços além da conectividade, incluindo entretenimento, saúde, educação, cibersegurança e soluções financeiras.