Governo inicia operação da rede privativa integrando comunicações de órgãos públicos

O governo federal iniciou a operação da Rede Privativa de Comunicação da Administração Pública Federal, infraestrutura criada para conectar órgãos governamentais por uma rede exclusiva, independente das redes comerciais de telecomunicações. 

Prevista como uma das contrapartidas do leilão do 5G realizado em 2021, a iniciativa receberá investimento de R$ 1 bilhão e tem conclusão prevista para dezembro de 2027.

Na rede móvel, o projeto utiliza um modelo de compartilhamento de antenas (RAN Sharing), aproveitando a infraestrutura de acesso existente, enquanto o núcleo (core) é exclusivo do governo. A implantação é executada pela Entidade Administradora da Faixa de 3,5 GHz (EAF), e a operação da rede ficará sob responsabilidade da Telebras.

Nesta primeira etapa, a Rede Privativa Móvel passa a conectar a Polícia Militar do Distrito Federal, o Exército Brasileiro, a Polícia da Câmara dos Deputados e a Polícia do Senado Federal por meio de uma infraestrutura criptografada e interoperável. A integração permite que instituições que antes operavam em sistemas independentes compartilhem comunicações em uma mesma plataforma, voltada a operações críticas e de segurança.

Paralelamente, entrou em operação o primeiro trecho da Rede Privativa Fixa. A unidade da Agência Nacional de Mineração (ANM), em Aracaju (SE), tornou-se a primeira cliente da infraestrutura, que conecta 12 prédios públicos por meio de 75,5 quilômetros de fibra óptica dedicada. 

Também são atendidos, nesta fase, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), o Ministério do Trabalho e Emprego e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Segundo o Ministério das Comunicações, a rede privativa foi concebida para garantir maior segurança às comunicações estratégicas da administração pública, reduzindo a dependência das redes comerciais em operações de segurança pública, grandes eventos e situações de emergência.

De acordo com o cronograma do ministério, as próximas ativações da rede fixa estão previstas para setembro, contemplando Macapá (AP), Rio Branco (AC), Goiânia (GO) e Vitória (ES).

A infraestrutura prevê cerca de 6,5 mil pontos de conexão e utiliza mecanismos de criptografia para proteger o tráfego de dados. A expectativa é expandi-la gradualmente até atender órgãos públicos em todo o país.