Imagine uma geladeira que se comunica com um aplicativo de nutrição no seu celular. Ela pode avisar se faltar uma maçã para sua dieta do dia seguinte, por exemplo. Isso só é possível devido à interoperabilidade da tecnologia de Internet das Coisas (IoT) entre empresas diferentes.
Esse foi o exemplo mencionado por Gabriel Araújo Souto, autor do artigo “Do Conflito à Conciliação de Interesses: O Papel da Propriedade Intelectual Relacionada aos Padrões 2G a 5G no Desenvolvimento da Internet das Coisas”, que recebeu o primeiro lugar no I Prêmio Ericsson de Produção Acadêmica sobre Propriedade Intelectual nesta quarta-feira.
Relacionado: Ericsson e CNI lançam guia 5G para indústria brasileira
O objetivo do estudo, segundo Souto, é “fomentar o ambiente de IoT no Brasil e ressaltar a importância da interoperabilidade entre empresas, marcas e tecnologias para que gere benefícios para o consumidor final, mas também para as próprias empresas que usam esse tipo de tecnologia, beneficiando o ecossistema como um todo”.
O estudo mostra a importância do equilíbrio de interesses entre as empresas para desenvolver padrões de redes móveis, que são essenciais para o mercado de IoT.
“Não adianta a Brastemp ter a patente que oferece a comunicação, e o aplicativo ou microondas não terem”, explicou Souto. “Quanto mais uma marca ou uma empresa adere a essa patente, maior é o benefício final para o consumidor e para as marcas, que terão mais vendas.”
O segundo lugar da premiação ficou com Victor Habib Lantyer com o artigo “O Papel da Propriedade Intelectual no Fomento à Inovação: Uma Perspectiva Legal sobre Criações por Inteligência Artificial”, e Moacir Ribeiro da Silva ficou em terceiro lugar, com o tema “A Escassez de Inovação e Propriedade Intelectual na Cadeia Extrativista da Cera de Carnaúba no Semiárido e a sua Urgente Aplicabilidade como Vetor de Transformação Social”.
Leia também: Brasil sobe em ranking de inovação com produtos criativos

Premiação da Ericsson
Esta foi a primeira edição do concurso da Ericsson, que teve como objetivo levar oportunidades para estudantes e profissionais de Direito no Brasil. Ellen Deuter, IPR Policy Researcher e idealizadora do projeto, contou que a ideia foi uma tentativa de criar uma ponte entre a indústria e a academia em propriedade intelectual, “uma área tão importante para o desenvolvimento do país”.
A avaliação de Deuter é que o concurso cumpriu com o objetivo. “A gente conseguiu diversidade regional, os vencedores são da Bahia, Ceará e Distrito Federal, os temas são diversos, e tivemos 50 candidaturas de pessoas de 17 estados. Acho que gerou um incentivo de pesquisa nessa área”, completou.
Os três primeiros colocados ganharam uma quantia em dinheiro e uma visita à Ericsson em Estocolmo, na Suécia.