O Brasil ocupa a segunda posição entre os países que mais registram pedidos de patentes de máquinas e equipamentos com Inteligência Artificial (IA) no Brasil, com 576 solicitações. Apesar disso, os brasileiros ainda estão longe de alcançar os Estados Unidos, primeiro colocado com 2.181 pedidos.
Os números são de um estudo recente do Núcleo de Inteligência em Propriedade Industrial (NIPI), em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). “Apesar dos residentes do Brasil estarem em segundo lugar, eles contemplam apenas 10% dessas invenções”, afirma Cristina D’Urso, chefe da Divisão de Estudos e Projetos, do INPI. Segundo o estudo, a média de outros setores tecnológicos é de 20%.
Um dado interessante é que o Brasil fica a frente de países como Japão, França e Alemanha no registro de patentes, “o que demonstra uma oportunidade no sentido do país aproveitar essa lacuna de participação desses países no depósito de patentes no Brasil, para investir na pesquisa, desenvolvimento e inovação no setor”, diz o documento.
Mas nem sempre o Brasil esteve nessa colocação. O número passou a crescer a partir de 2015, e chegou a triplicar entre 2015 e 2019, passando de 30 para 94. Atualmente, os registros de patentes de equipamentos com IA estão estáveis no patamar de 450 por ano, sendo que cerca de 100 são de residentes do Brasil.
As principais depositantes de equipamentos com IA no Brasil são Nissan (248), Microsoft (238), Qualcomm (152), Scania (129) e Boeing (124). O estudo ressalta a importância de empresas da área de transporte: Nissan, Scania e Boeing. As duas primeiras são fabricantes de automóveis que vem estudando tecnologias de veículos autônomos. A Boeing, de desenvolvimento aeroespacial e de defesa, vem aplicando tecnologias de IA em drones.
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Residentes do Brasil
Entre os registros de residentes, o destaque vai para a área médica. As máquinas e equipamentos médicos correspondem a 17% do total de pedidos, seguido por reconhecimento de padrões, com 16%, elétricos, com 15%, e mecânicos, com 13%.
De acordo com o documento, “diversos exemplos de pesquisas e desenvolvimento de produtos na área médica têm sido observados. Como casos de tecnologias de máquinas e equipamentos com IA relacionadas ao diagnóstico e/ou controle da pandemia Covid-19”.
Vale ressaltar que seis dos 10 residentes que mais pediram registro de patente são universidades públicas brasileiras, liderado pela Universidade Estadual de Campinas, com 29 pedidos. Samsung (21), Embraer (16), CPQD (11) e Universidade Federal de Minas Gerais (8) vêm em seguida.
Esses números indicam que existe uma lacuna de participação das empresas brasileiras no desenvolvimento e patenteamento de tecnologias. “Demonstra também a oportunidade de se trabalhar a transferência tecnológica e de se buscar parcerias para desenvolvimento conjunto entre empresas e universidades brasileiras nessa área”, disse Rogério Araújo Dias, analista de Produtividade e Inovação da ABDI.