Anatel inclui estudos sobre 6G no Plano de Uso de Espectro

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O Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou o Plano de Uso do Espectro para o período de 2021 a 2028 na última quinta-feira, 17. O texto já traz previsões quanto à sexta geração de redes móveis, o 6G.

O documento contém o planejamento da agência sobre a regulamentação de faixas de frequências, e divide as prioridades em curto, médio e longo prazo, com base em um tratado da União Internacional das Telecomunicações (UIT).

O plano teve origem no Projeto Estratégico de Gestão de Espectro, que contou com o apoio de uma consultoria contratada pela UIT.

6G – Longo prazo

O planejamento de longo prazo, de 2025 a 2028, tem como principal premissa o “acompanhamento dos estudos propostos na pré-agenda da Conferência Mundial de Radiocomunicações de 2027”.

Um dos pontos que mais chama a atenção é a estimativa quanto aos estudos do 6G. Segundo a Anatel, a indústria e a academia discutirão, nos próximos anos, os requisitos da sexta geração de comunicação móvel e as tecnologias que poderiam ser empregadas.

“Estudos recentes indicam que as faixas de frequências acima de 90 GHz podem ser utilizadas pelos sistemas de comunicações 6G, a fim de ampliar as larguras de faixa disponíveis para esses sistemas”, diz o documento.

Acredita-se que a tecnologia permitirá a evolução e a criação de novas aplicações, como realidade virtual e realidade aumentada, e-Saúde, conectividade difusa, indústria 4.0 e robótica e mobilidade autônoma.

Além disso, o texto mostrou algumas características que podem fazer parte da arquitetura dos sistemas 6G: virtualização e desagregação; integração avançada entre as redes de acesso e o backhaul; e arquitetura de rede centrada no usuário.

A Anatel espera que o 6G continue a tendência de utilizar frequências mais altas e maiores larguras de faixas para as redes móveis. “Vislumbra-se que os sistemas massivos de múltiplas entradas e múltiplas saídas continuarão sendo uma tecnologia-chave para o 6G e que a taxa de transmissão de dados e a eficiência espectral continuarão a ser o foco dos sistemas móveis”.

5G – Curto e médio prazo

Quanto ao 5G, há planos de regulamentações no curto e médio prazo. Dentro das medidas de até dois anos, a Anatel indicou a migração das aplicações em banda C estendida (3.625 – 3.700 MHz) para outras faixas de frequências, para disponibilizar esse recurso para a banda larga móvel. A banda será compartilhada entre o Serviço Fixo por Satélite e as redes privativas 5G.

Além disso, haverá discussões sobre o espectro futuro para a quinta geração nas faixas de ondas milimétricas – além da faixa de 26 GHz, indicada no edital do 5G, 37 – 43,5 GHz, 45,5 – 47 GHz, 47,2 – 48,2 GHz e 66 – 71 GHz.

A agência não garante que todo esse espectro será disponibilizado para uso de sistemas móveis. “Os estudos a serem realizados indicarão quais subfaixas, dentro das faixas de frequências mencionadas, serão disponibilizadas para uso por sistemas IMT (Telecomunicações Móveis Internacionais, na sigla em inglês)”.

Já no médio prazo, com conclusão prevista em até quatro anos, a Anatel prevê analisar a faixa de 4800-4990 MHz, identificadas para o 5G pelo Brasil e por outros países. Ela permitirá o uso com limites menos restritivos e garantirá a proteção dos serviços móveis aeronáuticos e marítimos nos espaços internacionais.

Ainda será estudado o uso das faixas de 694-960 MHz, 1.710-1.885 MHz, e 2.500-2.690 MHz em âmbito global, que permitem a conectividade de banda larga em áreas rurais e mais remotas.

O relator e conselheiro Vicente Aquino afirmou que a próxima edição do Plano, para o período de 2023 a 2030, dará mais ênfase ao planejamento de médio e longo prazo, considerando a renovação ou não de autorizações de uso de radiofrequências, as possíveis necessidades de refarming, as mudanças de tecnologia ou de destinação de faixas a serviços.