Os conselheiros da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovaram, por unanimidade, a exploração do sistema de satélites não geoestacionários pela empresa Kepler no Brasil até janeiro de 2037. A decisão foi tomada na última reunião do Conselho Diretor, no dia 10 de fevereiro.
O sistema Kepler deverá operar com até 175 satélites a 575 Km de altitude. A operação será nas faixas de 10.700 a 12.700 MHz (enlace de descida) e 14.000 a 14.500 MHz (enlace de subida), na banda Ku, e 2.483,5 a 2.500 MHz (enlace de descida) e 1.610 a 1.625 (enlace de subida), nas banda S e L.
Segundo o relator, o conselheiro Moisés Moreira, a empresa pretende oferecer dois serviços principais. O primeiro é conhecido por Global Data Service, trata-se de armazenamento e encaminhamento de alta taxa de dados, voltado a “operadores que precisam transmitir ou receber grandes quantidades de dados em áreas remotas não conectadas a servidores de Internet e não adequadamente atendidos por satélites tradicionais ou redes terrestres”.
O segundo serviço foi chamado de everywhereloT, que pretende fornecer conectividade com baixa taxa de dados a dispositivos de Internet das Coisas (IoT), como GPS e sensores ambientais, utilizando as Bandas S e L.
Para a utilização do sistema na órbita brasileira, a empresa canadense deverá pagar R$ 102.677,00. Além disso, a Kepler – que atua no Brasil por meio da Visumtec – não terá direito à proteção e não deve causar interferências prejudiciais nos sistemas não geoestacionários Globalstar e Iridium.
Recentemente, os sistemas Starlink e Swarm conseguiram autorizações para operar seus sistemas de satélites. O objetivo da Starlink é prover acesso à Internet a usuários finais, com alta velocidade e baixa latência, em locais de difícil acesso no Brasil. Já a Swarm pretende fornecer links para dispositivos de IoT.