Relatório da Brasscom estima que o País invista R$ 2 trilhões em tecnologias entre 2026 e 2029, com destaque para nuvem, inteligência artificial e data centers.
As exportações brasileiras de tecnologia da informação e comunicação (TIC) somaram R$ 62 bilhões em 2025, alta de 20,8% na comparação anual, impulsionadas sobretudo pelo avanço de software, computação e telecomunicações.
Mesmo com o desempenho positivo das vendas externas, o setor encerrou o ano com déficit comercial de R$ 192,9 bilhões, por conta da dependência do país de hardware e serviços digitais importados. Os dados constam no Relatório Setorial 2025 da Brasscom.
Segundo a entidade, porém, o crescimento mais acelerado das exportações de serviços digitais ajudou a frear a expansão desse déficit. As vendas externas de software e serviços alcançaram R$ 41,6 bilhões em 2025, avanço de 24,7% e volume duas vezes superior ao registrado por hardware, que somou R$ 20,5 bilhões.
Os serviços de computação e informação lideraram o desempenho, movimentando R$ 38,6 bilhões, alta de 25,1%, enquanto os serviços de telecomunicações cresceram 20,2%, chegando a R$ 2,9 bilhões.
Já no segmento de hardware, os embarques de componentes elétricos e eletrônicos atingiram R$ 16,7 bilhões, crescimento de 12,6%. Os produtos de informática e telecomunicações também avançaram no período, com altas de 12,3% e 25,1%, respectivamente.
Importações
Do lado das importações, o Brasil movimentou R$ 254,9 bilhões em TIC em 2025, avanço de 11,5% sobre o ano anterior. O principal peso continua concentrado em hardware, que respondeu por R$ 166,6 bilhões em compras externas. Componentes elétricos e eletrônicos lideraram esse volume, com R$ 131,5 bilhões importados.
Os serviços de computação e informação também apresentaram forte expansão nas importações, com alta de 22,2%, somando R$ 82,8 bilhões. Em contrapartida, os serviços de telecomunicações registraram retração de 2,3%, totalizando R$ 5,5 bilhões.
Avanço da transformação digital
O desempenho ocorre em meio à aceleração dos investimentos em transformação digital no país. A Brasscom estima que o Brasil invista R$ 2 trilhões em tecnologias entre 2026 e 2029, com destaque para nuvem, inteligência artificial e data centers.
A expectativa é de que os investimentos em nuvem alcancem R$ 765,6 bilhões no período, com crescimento médio anual de 21%, enquanto os aportes em inteligência artificial devem somar R$ 736,6 bilhões, avançando 20% ao ano. A entidade também projeta R$ 252,4 bilhões em investimentos em data centers até 2029.
Em 2025, o mercado interno de TIC movimentou R$ 436 bilhões, alta de 22,7%. O segmento de nuvem foi o principal destaque, com expansão de 35,5%, atingindo R$ 85 bilhões. O hardware avançou 26,1%, chegando a R$ 158,6 bilhões, enquanto software e serviços cresceram 15,6% e 15,3%, respectivamente.
Para a entidade, a disseminação da IA generativa, a ampliação da infraestrutura em nuvem e a demanda crescente por processamento de dados vêm alterando estruturalmente o perfil de consumo de tecnologia no Brasil.