Huawei: América Latina não precisa vencer a corrida tecnológica

Barcelona, Espanha. “Não precisa ser uma competição. Nem todo país precisa ter controle total de uma tecnologia. O mais importante é como se beneficiar dela.” Assim encara Daniel Zhou, presidente da Huawei para América Latina e Caribe.

De forma franca e otimista, o executivo falou que o que realmente gostaria de ver na região é que ela possa avançar mais rapidamente nas áreas de inteligência artificial e nuvem, adotando uma visão mais própria dessas tecnologias. “Que as pessoas e os governos possam escolher por si o que mais os beneficia e então adote. Essa é a atitude que os países latino-americanos deveriam ter”, disse.

Para Zhou, este ponto é puramente estratégico, uma vez que cada país tem seus próprios pontos fortes: agricultura, mineração, diferentes setores da indústria, etc. Logo, é preciso analisar onde está a tendência de seu país e como tirar o máximo proveito dela em direção ao que o mundo vai: um lugar cada vez mais digital.

Outro ponto é a antecipação: planejar a infraestrutura necessária e equilibrar metas regulatórias e a rentabilidade das operadoras.

O cenário bastante conhecido, no entanto, é outro. Apesar dos esforços para atrair investimentos, fomentar o desenvolvimento e regular a tecnologia, tais movimentos já são tardios e muito incipientes em comparação às grandes potências. A América Latina é desigual em todos os aspectos, e digitalmente não é diferente.

Para se ter uma ideia, na China, o 5G já é assunto praticamente superado. 95% da população está coberta, alcançando 70% do território do país. Existem 4,5 milhões de estações rádio-base (ERB), enquanto em toda a América Latina são menos de 200 mil – em números apresentados pelo próprio Zhou.

Comparando o número de estações 4G e 5G, a taxa de equivalência é de cerca de 20% na região. A penetração de dispositivos 5G é inferior a 30%. Considerando esses fatores, “os próximos três a cinco anos ainda serão focados na expansão do 5G. Esperamos a instalação de cerca de 100 mil novas estações por ano“, prevê o executivo.

A despeito da situação regional, o mundo já começa a olhar para o 6G. Neste aspecto, a Huawei vê o espectro como um dos fatores mais críticos, uma vez que a indústria espera que a próxima tecnologia utilize frequências mais altas que as atuais. “Alguns países já estão reservando espectro”, alertou Zhou.

Ele revelou também que a empresa está investindo em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), preparando a evolução suave entre as gerações. “Não queremos que clientes precisem descartar tudo ao migrar para o 6G”, concluiu.