Rede privativa do governo sai do papel com Motorola Solutions no DF
Projeto ligado ao leilão do 5G já concluiu as provas de conceito com Exército e polícias. “Estreia” ocorre agora em maio.
São Paulo. A Motorola Solutions deu novos detalhes sobre a implementação da rede privativa do governo no Brasil, projeto estratégico voltado à integração das comunicações de órgãos públicos. A companhia, que venceu a licitação em junho de 2025, concluiu os testes no Distrito Federal, com perspectiva de expansão nacional.
Segundo o presidente da empresa no país, Gustavo Ancheschi, a proposta da rede é conectar diferentes sistemas hoje fragmentados como os utilizados por forças de segurança, Forças Armadas e órgãos federais, em uma única plataforma interoperável.
As provas de conceito demonstraram sucesso na comunicação integrada entre o Exército, a Polícia Federal (PF) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Depois de pronta, a rede será operada pela Telebras, enquanto a execução está com a Entidade Administradora da Faixa de 3,5 GHz (EAF). O cronograma do Ministério das Comunicações afirma que a estreia seja agora em maio.
O executivo destacou que um dos principais entraves históricos do Brasil é a ausência de padronização tecnológica, com estados operando em diferentes protocolos e frequências, o que dificulta ações conjuntas.
A rede privativa surge justamente para contornar esse cenário, permitindo a interligação entre sistemas distintos, independentemente da tecnologia utilizada. Ancheschi destacou ainda que “a Motorola Solutions é o único fornecedor que possui os três protocolos de comunicação no mundo, que são DMR, TETRA e P25”.
Em paralelo, a empresa vem reforçando seu portfólio com aquisições estratégicas. Nos últimos 10 anos foram cerca de 38 empresas, muitas voltadas à área de defesa. Entre as mais recentes está a Silvus, que fornece redes mesh com autorrecuperação e baseadas em tecnologia MANET, capazes de operar sem infraestrutura e garantir transmissão segura de dados e voz em cenários críticos.
Além disso, a empresa investiu mais de US$ 12 bilhões em pesquisa e desenvolvimento (P&D) no período, focando em LMR (rádio), videomonitoramento e IA.