Brasília. Mais do que uma política de incentivos como o Redata, o Brasil precisa de visão com propósito para data centers. Esse é um exemplo importado da China e citado por Carlos Roseiro, diretor de ICT Marketing da Huawei, como aprendizado ao Brasil. A fala foi dita durante o primeiro dia do Painel Telebrasil, nesta terça-feira (19).
“É muito importante que os data centers sejam usados para construir valor ao Brasil e sua soberania em inteligência artificial”, sentenciou. Para Roseiro, agora que o país pegou o “bonde da conectividade” avançando com o 5G e fibra óptica, é importante não descansar sobre os louros conquistados porque a tecnologia não para.
“A IA traz novos requisitos de conectividade e dispositivos que exigem mais da infraestrutura, então é preciso continuar evoluindo”, defendeu. Os desafios trazidos pela IA move mercados e governo. Neste sentido, todos os setores da indústria estão avaliando como aproveitar as oportunidades que esta tecnologia traz.
“Contudo, o setor de telecom tem tratado de ser mais eficiente, aumentar receitas e além disso, lidar com o constante desafio de montar a infraestrutura que possibilita aproveitar essas oportunidades por todas as indústrias”, explicou.
Do ponto de vista do governo, Rafael Ramalho Dubeux, assessor especial do Ministério da Fazenda, defendeu a matriz energética única do Brasil, rica em fontes renováveis.
Dubeux citou a relevância do Redata dentro dessa visão e a importância de criar regras de barateamento para o mercado de data centers que é um verdadeiro alicerce para uma nova política industrial brasileira.
“Somos um dos poucos que possuem um sistema energético limpo integrado e precisamos trazer soluções para o Brasil aproveitar essa janela de oportunidades e abrir caminho para outras indústrias”.
Por fim, o presidente do Conselho Consultivo da Anatel, Fabrício da Mota Alves, afirmou que a construção de governança institucional e infraestrutura de mercado será essencial para garantir previsibilidade jurídica e equilíbrio concorrencial nos próximos anos.
Segundo ele, a discussão sobre regulação da inteligência artificial já não gira mais em torno da possibilidade de existência de regras, mas sobre o formato e o timing dessa regulamentação. “Haverá regulação”, afirmou, ao defender consenso político em torno do tema no Senado.
A necessidade de maior estabilidade também foi reforçada pelo VP de Finanças e Relações com Investidores da Algar Telecom, Gustavo Matsumoto. Na avaliação do executivo, o setor privado vive hoje um cenário de melhor equilíbrio entre risco e retorno, mas ainda depende de maior clareza institucional, política e fiscal para ampliar investimentos de longo prazo.
“Quanto mais clareza regulatória, institucional, política e fiscal, mais conseguimos assumir riscos e investir”. Segundo ele, o desenvolvimento de novas tecnologias exigirá uma “imensidão de investimentos” nos próximos anos.