Brasil quer protagonismo global em transição energética, diz Lula na Alemanha
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil “cansou de ser tratado como invisível” no cenário internacional e defendeu o país como uma potência em transição energética e reindustrialização durante discurso na abertura da Hannover Messe 2026, que se iniciou nesta segunda-feira (20) na Alemanha, considerada uma das maiores feiras industriais do mundo.
Segundo informações do governo brasileiro, a visita prevê a assinatura de cerca de dez acordos bilaterais entre Brasil e Alemanha. Os entendimentos abrangem áreas como defesa, mudanças climáticas, infraestrutura, inteligência artificial, inovação energética, bioeconomia, desenvolvimento sustentável, aplicativos digitais e pesquisa científica, incluindo temas ligados aos oceanos e ao bioma do Cerrado.
A participação brasileira no evento ocorre em um contexto no qual o governo busca ampliar a presença do país em debates globais sobre indústria, inovação e sustentabilidade.
Lula destacou que o Brasil reúne condições para ocupar um papel central nas transformações da economia global, especialmente a partir de sua matriz energética relativamente mais limpa e do potencial em energias renováveis.
“Nós temos uma boa base intelectual, nós temos uma boa base tecnológica, nós temos empresas extraordinárias como a Petrobras, nós temos empresas como a Embraer, que é a terceira maior produtora de avião do mundo. E nós temos a capacidade de compartilhar com a Alemanha coisas em toda a América do Sul. E por que não dizer, a gente começar a olhar para o continente africano”, afirmou.
No discurso, o presidente reforçou ainda a estratégia de reposicionamento internacional do País, com foco em tecnologia, indústria verde e atração de investimentos ligados à descarbonização. A participação na feira integra esse movimento de inserção em cadeias industriais mais sofisticadas e de maior valor agregado.
Além da agenda mais ampla de cooperação econômica, tecnológica e ambiental, Brasil e Alemanha avançaram também em um eixo considerado estratégico: minerais críticos e terras raras.
Os dois países assinaram uma declaração de intenções para cooperação nesse setor, com foco em pesquisa, desenvolvimento e inovação ao longo de toda a cadeia produtiva, incluindo não apenas a extração, mas também o processamento e o desenvolvimento tecnológico associado; semelhante ao firmado dois dias antes com a Espanha, em uma agenda que abrange o biênio 2026-2028.
A iniciativa busca reduzir a dependência de cadeias globais concentradas em poucos países, ao mesmo tempo em que incentiva a transferência de tecnologia e a agregação de valor industrial no Brasil. O acordo também prevê o estímulo a projetos conjuntos entre empresas e instituições de pesquisa dos dois países.
No discurso e nas negociações paralelas à feira, o governo brasileiro reforçou a estratégia de reposicionamento do Brasil como fornecedor de insumos estratégicos para a economia de baixo carbono, especialmente em minerais utilizados em baterias, tecnologias energéticas e soluções industriais avançadas.