Brasil e Espanha miram plataformas digitais e minerais críticos
A governança do ambiente digital, a exploração de minerais críticos e o fortalecimento da cooperação tecnológica emergiram como eixos centrais da agenda bilateral entre Brasil e Espanha, no âmbito de um encontro diplomático entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Pedro Sánchez.
A declaração conjunta da I Cúpula Brasil–Espanha, realizada na última sexta-feira (17) em Barcelona, estabelece compromissos diretos para regular plataformas digitais, ampliar a segurança cibernética e desenvolver cadeias tecnológicas estratégicas, com impacto direto sobre a economia digital.
No campo das plataformas digitais, os dois países acordaram reforçar a coordenação internacional para enfrentar a desinformação e aumentar a responsabilização das big techs. O documento destaca a necessidade de “reforçar a transparência algorítmica e a responsabilidade das plataformas digitais”, com ênfase na proteção de menores e usuários vulneráveis.
Também ficou definido que a cooperação será ampliada para criar ferramentas e marcos regulatórios que fortaleçam a resiliência democrática e a proteção dos direitos humanos no entorno digital.
A segurança digital aparece como prioridade complementar. Brasil e Espanha manifestaram interesse em aprofundar a cooperação em segurança cibernética e no combate à “ciberdelinquência”, com troca de informações e boas práticas, indicando um alinhamento em torno de políticas de defesa digital e proteção de infraestruturas críticas.
O plano de trabalho bilateral para 2026–2028 prevê cooperação em áreas como inteligência artificial, além de reforçar o compromisso com a pesquisa, inovação e educação superior de qualidade, como bases para o desenvolvimento tecnológico conjunto.
Cooperação em minerais críticos
No eixo econômico-tecnológico, os países celebraram a assinatura do Memorando de Entendimento sobre Minerais Críticos, que reforça a colaboração ao longo de toda a cadeia de valor e impulsiona a cooperação científico-tecnológica.
Ocorre que o Brasil possui reservas importantes e diversificadas de nióbio, grafite, manganês, níquel e terras raras, contudo, ainda tem um papel mais forte na extração do que nas etapas industriais mais avançadas, que é onde a cadeia de valor está: no refino e processamento.
Brasil e Espanha reconheceram que esses recursos são indispensáveis para a transição para a neutralidade climática.
Sistema de pagamentos instantâneos
A interoperabilidade de sistemas financeiros digitais também entrou na agenda. Os países defenderam o avanço na integração de pagamentos instantâneos, mas não tem a ver com o PIX brasileiro.
Os Presidentes destacaram a importância de aprofundar a cooperação bilateral em matéria de mercados de capitais como alavanca essencial para fortalecer os vínculos econômicos e financeiros entre ambos países, facilitar o acesso de empresas e investidores a novas oportunidades e contribuir para a diversificação das fontes de financiamento.
Nesse contexto, expressaram a vontade de reforçar o uso do LATIBEX como instrumento de visibilidade e internacionalização de empresas brasileiras no mercado europeu, e apoiaram a promoção ativa dessa plataforma por parte da BME para ampliar o número de emissores brasileiros listados e facilitar a integração dos mercados financeiros dos dois países.
O Acordo Mercosul-União Europeia cria o guarda-chuva econômico e regulatório que facilita esse tipo de aproximação bilateral. Na própria declaração, Brasil e Espanha dizem que vão “aproveitar o novo marco que outorga o acordo UE-MERCOSUL” como base para expandir comércio, investimento e cooperação.