Portugal aprovou recentemente dois dos principais projetos da sua estratégia de soberania digital: o Plano Nacional de Cloud Soberana e o Plano Nacional de Centros de Dados (PNCD), iniciativas que buscam ampliar a capacidade computacional do país, atrair investimentos em infraestrutura digital e reduzir a dependência tecnológica de plataformas estrangeiras.
Os projetos fazem parte da Estratégia Digital Nacional e da Agenda Nacional de Inteligência Artificial de Portugal. Enquanto a cloud soberana mira o controle estatal sobre dados e sistemas críticos da administração pública, o PNCD estabelece 15 medidas prioritárias para acelerar a implantação de data centers entre 2026 e 2027.
A infraestrutura da cloud soberana ficará sob responsabilidade da IP Telecom, segundo o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz. A expectativa do governo é concluir a estrutura até 2030, com economia superior a 30 milhões de euros. O modelo prevê classificação de dados por níveis de criticidade e adequação dos órgãos públicos até junho de 2027.
Já o plano de data centers tenta posicionar Portugal como hub europeu para cargas de inteligência artificial e serviços em nuvem. Entre as medidas estão simplificação do licenciamento, criação de zonas pré-planeadas para instalação de data centers e coordenação centralizada de investidores pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).
O governo português estima que cada gigawatt adicional de capacidade instalada possa gerar cerca de 8 bilhões de euros em investimento inicial, até 16 bilhões de euros em impacto econômico anual e aproximadamente 3,3 mil empregos diretos.
Atualmente, Portugal possui mais de 2,6 GW de capacidade de TI planejada. A movimentação ocorre em meio ao avanço europeu de políticas de soberania digital e poucos meses após a Amazon Web Services anunciar uma Local Zone no país.