#BR5G | 3 lições do leilão do 5G do Brasil

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A primeira discussão no evento Brasil 5G, promovido pela DPL Live, foi o “Diálogo para a indústria móvel no Brasil”, com a participação de Lucas Gallitto, diretor da GSMA para a América Latina, e Eduardo Tude, CEO da Teleco.

Em sua apresentação, Gallitto ressaltou que o leilão do 5G foi o mais importante da história do Brasil e que foi desenhado para gerar investimentos em telecomunicações. Para ele, o fator mais importante sobre o processo é que a licitação não foi um fato isolado, houve também ações de políticas e planejamento, como modernização da Lei Geral das Telecomunicações em 2019, que aumentou a duração das outorgas para 20 anos e colocou a proposta de renovação ilimitada. 

A possibilidade de criar um mercado secundário de espectro foi um outro fator importante do processo.

Houve cooperação entre os reguladores, operadoras, provedores de Internet, cadeias de radiodifusão, academia, entre outras partes interessadas, além de consulta pública com a população. Um outro fator foi a possibilidade de criar o mercado secundário de espectro

Ele mencionou que o Brasil tomou as decisões necessárias, com planejamento e diálogo e que isso pode servir de inspiração para o resto da América Latina. “Lembremos que o leilão não surgiu de um dia para o outro, foi resultado de anos de trabalho entre os setores público e privado”, disse o diretor da GSMA.

Tude concordou com a fala de Gallitto, principalmente no que diz respeito à articulação com o Senado, setores interessados e o Tribunal de Contas da União, e acrescentou o fato de o leilão ter um viés não arrecadatório como chave para o sucesso do processo.

“Os vencedores vão pagar R$ 4,9 bilhões e assumiram compromissos de R$ 42 bilhões”, comentou. As grandes operadoras – Claro, TIM e Vivo – vão pagar mais em dinheiro para custear a limpeza da faixa de 3,5 GHz e construir a rede do projeto Norte Conectado, por exemplo, “mas as outras empresas ficaram com compromisso de atender localidades com 4G e conectar municípios com backhaul de fibra. Isso viabilizou a participação da maior parte delas.”

Para o CEO da Teleco, o leilão foi bem sucedido, pois as grandes operadoras ganharam a banda que precisavam – cada uma conseguiu 100 MHz na faixa de 3,5 GHz – e houve espaço para novas entrantes com anos de negócio diferenciados. 

Daqui para a frente, os maiores desafios serão a questão da limpeza da faixa de 3,5 GHz, porque fará com que a cobertura avance mais lentamente, e como as entrantes vão complementar suas redes com o 4G. 

“Vamos ter, durante muito tempo, usuários da rede migrando do 4G para o 5G, e isso é um desafio para as operadoras regionais, que não têm o 4G”, informou Tude.

No leilão realizado no ano passado, foram licitados lotes nas faixas de 700 MHz, comprada pela Winity II, que deverá disponibilizar sua rede primeiro em 4G para as outras operadoras; de 3,5 GHz; de 2,3 GHz, que já foi usada para lançar o 5G no final do ano passado; e de 26 GHz, “que é uma aposta no futuro”, disse Tude.

Para os analistas, as principais lições da licitação no Brasil foram o planejamento e articulação com vários atores, o viés não arrecadatório e o conjunto de políticas públicas e ações que criaram novas oportunidades para os operadores.