5G na China: um modelo a ser seguido
Paul Scanlan, da Huawei, apontou os diferenciais da China em relação ao 5G no MWC Shanghai 2023.
Enviada especial
Shanghai.- A China é um exemplo da construção de redes 5G e inclusão da conectividade nos negócios do país. Um relatório recente da GSMA mostra que a tecnologia móvel e serviços geraram 5,5% do PIB chinês em 2022, uma contribuição de US$ 1,1 trilhão.
Para Paul Scanlan, advisor da presidência da Huawei, os principais ingredientes para esse diferencial são a cultura e a forma de organização do país.
Em coletiva de imprensa no Mobile World Congress Shanghai 2023, o executivo comentou sobre o lançamento do 5G na China e o início da pandemia de Covid-19. Naquele momento, os casos de Covid-19 eram identificados por meio de exames raio-X, o que demandava um volume grande de análise de dados, que seria impossível ser realizada apenas pelos médicos.
“Nós pegamos isso [os exames] e colocamos na nossa Inteligência Artificial (IA)”, disse Scanlan. “Nós aprendemos com as imagens e precisamos de muitos dados. Não conseguimos pelo WiFi, nem pelo 4G, nós lançamos o 5G”.
Ele explicou que os hospitais foram construídos com containers, foi instalado 5G e, em duas semanas, foi incluída a IA na Nuvem para fazer esse trabalho.
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A diferença para outros países é que “você constroi o site lá, mas o hospital está aqui”, disse Scanlan. “Nós nem estamos lançando as redes onde as oportunidades de negócio estão”.
Além disso, geralmente existe falta de conhecimento e de interesse por parte de executivos de empresas. “Quando começamos a implantar [o 5G], o primeiro desafio foi educar essas indústrias”.
Outro exemplo de como a expansão da tecnologia acontece de forma diferente na China é com a mineração. Scanlan disse que em 2020 aconteceram dois acidentes na China e mais de 20 pessoas morreram. “A Huawei não sabe nada sobre mineração, a China Mobile não sabe nada sobre mineração. Mas o homem no topo [Xi Jinping] disse ‘eu tenho um problema. Descubram como resolver e consertem isso’. O que nós fizemos? Huawei, China Mobile, China Telecom, China Unicom e outros parceiros fizemos ‘uma sopa’, fizemos as coisas juntos.”
A diferença da cultura chinesa para a cultura ocidental também é evidente na transformação digital. Scanlan comentou que é comum ver painéis na China com palavras como “paz”, “prosperidade” e “cultura”; são valores buscados pela sociedade chinesa. Eles não reafirmam apenas que o 5G é mais rápido para vender a tecnologia, mas buscam esses valores por meio do 5G.
E a tecnologia está avançando rapidamente. A China também deverá ser o primeiro país a alcançar 1 bilhão de conexões 5G em 2025, segundo a GSMA. É um caso que vale a pena ser seguido.