A Vivo apresentou uma receita de R$ 11,35 bilhões no primeiro trimestre de 2022, um crescimento de 4,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo a operadora, esse foi o maior crescimento da receita líquida em sete anos e foi impulsionado pela receita de serviço móvel, aparelhos e desempenho positivo consistente da receita fixa.
A empresa também destacou a marca histórica de quase 100 milhões de acessos no final de março.
Apesar disso, o lucro líquido da companhia caiu 20,4% em comparação aos primeiros três meses de 2021, batendo R$ 750 milhões. A operadora explica que isso se deve às maiores despesas financeiras e aumento da depreciação e amortização no período.
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Negócio móvel
Um dos maiores destaques do trimestre foi a receita com o negócio móvel, de R$ 7,58 bilhões. Esse valor inclui os ganhos com o serviço móvel, de R$ 6,87 bilhões, com um crescimento anual de 5,7%, e com aparelhos, que atingiu R$ 708 milhões com um aumento de 10% no ano.
Segundo a Vivo, a receita dos planos pós-pago de R$ 5,59 bilhões – com avanço de 5,9% – impulsionou o resultado. “No último trimestre, adicionamos 1.269 mil acessos pós-pago, tanto pela migração de pré-pago para controle, quanto pelo saldo positivo de portabilidade de outras operadoras”, informou a empresa. Além disso, a receita foi impactada pelo reajuste anual aplicado para parte da base de usuários dos planos controle.
Os ganhos da base pré-pago aumentaram 4,7% na comparação anual, chegando a R$ 1,27 bilhão. A operadora defende que isso se deve ao crescimento de 2,2% dos acessos pré-pago e à maior recorrência nas recargas.
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Negócio fixo
A receita líquida do negócio fixo registrou um pequeno avanço de 1,9% em comparação ao primeiro trimestre do ano passado, chegando a R$ 3,77 bilhões. Esse valor inclui a receita core fixa (FTTx, IPTV, Dados corporativos, TIC e outras receitas fixas) de R$ 2,7 bilhões, que cresceu 11,9% no ano, e não-core fixa (Receita de voz fixa, xDSL e DTH) de R$ 1,06 bilhão, que caiu 17%.
A Vivo explicou que os ganhos core foram impulsionados principalmente pelo FTTH (Fiber To The Home), que cresceu 25,9%, atingindo R$ 1,27 bilhão, devido ao reajuste do preço e à expansão da fibra. “Durante os últimos doze meses, nossa rede de fibra até a casa do cliente chegou a mais 65 novas cidades, adicionando 4,2 milhões de casas passadas e 1,1 milhão de casas conectadas”. Associado a esse aumento, a receita de IPTV avançou 18,2% no ano.
A companhia também destacou a performance de Dados Corporativos, TIC e outros, que aumentou 13,1% no período. Para a operadora, isso é resultado do seu portfólio que inclui conectividade, soluções de cloud, TI, equipamentos e cibersegurança.
Precificação e custos
Em uma conferência com os investidores nesta quarta-feira, 11, Christian Gebara, CEO da Vivo, revelou que a empresa pretende continuar a estratégia de reajustar os preços pela inflação. “Fizemos parcialmente os clientes híbridos neste trimestre e vamos continuar fazendo entre o segundo e terceiro trimestre. Em pós-pago, também faremos ajustes no segundo e terceiro trimestres”, informou Gebara. O mesmo vale para o serviço de fibra.
“Em pré-pago, embora nosso ARPU (receita média por usuário) tenha aumentado, nossa receita tenha aumentado, nós acreditamos que também tenha a oportunidade para reprecificação”, comentou. “Vamos acompanhar o mercado e esperamos que os concorrentes estejam também seguindo essa tendência de ajustar os preços no pré-pago com base na inflação.”
Sobre o aumento das despesas, David Melcon, CFO da operadora, explicou que os motivos são o aumento de quase 10% da taxa de juros local de um ano para o outro, a compra das frequências 5G no Brasil e as taxas monetárias de alguns passivos não financeiros, que usam como base a taxa de juros. Ele alertou que no próximo trimestre os custos devem aumentar ainda mais por causa da aquisição da Oi Móvel.
Entretanto, a companhia acredita que esse aumento dos custos é positivo, pois significa investimento. “Estamos criando valor e trazendo ativos que vão trazer um retorno maior no futuro”, concluiu.