Vivo espera sinergias de R$ 5,4 bilhões com a compra da Oi Móvel

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A expectativa da Vivo com a compra de parte da Oi Móvel é ter sinergias de R$ 5,4 bilhões, já descontados o investimento e os custos de integração. A operadora divulgou detalhes da compra de parte da Oi Móvel na manhã desta quinta-feira, 28, em uma conferência com investidores.

O número parece consideravelmente menor do que o que foi anunciado pela TIM no começo da semana – entre R$ 16 e 19 bilhões –, mas, segundo analistas do BTG Pactual, há diferenças de metodologia. O valor divulgado pela Vivo considera apenas capex e opex, enquanto a TIM também estimou sinergias relacionadas à receita, como a redução do churn (taxa de cancelamento dos clientes) e a criação de novas oportunidades de ganhos.

Além disso, o número apresentado pela TIM não descontava o pagamento pela fatia da Oi.

Detalhes

Dos R$ 5,4 bilhões em sinergias, R$ 1,8 bilhão está relacionado à rede, devido à redução dos custos da operação e manutenção, economia nos custos na implementação de 4G e 5G, com sites e com pessoal.

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Cerca de R$ 1,7 bilhão serão gerados pelo espectro adquirido, que vai “aliviar a pressão para reforço de rede em áreas onde temos aumento da demanda e precisamos de mais capacidade”, segundo David Melcon, CFO da operadora.

Em relação ao comercial, a integração de estruturas de venda, suporte aos clientes e marketing deverá gerar mais de R$ 1 bilhão.

E, por fim, existe uma possível geração de valor de R$ 900 milhões relacionados ao ágio e alocação do preço de compra do espectro, base de clientes e outros.

Melcon também divulgou que os clientes da Oi adquiridos pela Vivo geraram receita líquida de R$ 135 milhões em março de 2022, o que levaria a uma receita de R$ 1,08 bilhão até o final do ano.

Acordo com a Oi 

Em relação ao acordo com a Oi Móvel, a Vivo vai receber 42,7 MHz do espectro que era da Oi, divididos entre as faixas de 900 MHz, 1.800 MHz e 2.100 MHz. “Isso complementa as nossas aquisições recentes nas frequências de 2,3 e 3,5 GHz e vai nos permitir implementar a tecnologia 5G”, informou Christian Gebara, CEO da Vivo.

Cerca de 12,5 milhões de clientes que eram da Oi passarão para a Vivo, sendo que 37% são assinantes de planos pós-pago e 63% do pré-pago. Gebara destacou que a companhia se manterá com a maior base de clientes da América Latina, passando de 100 milhões para 112 milhões, dos quais 97 milhões são móveis.

Com a transação, a empresa aumenta sua participação na região nordeste, onde tinha menos clientes, e passa a ser líder em 17 estados brasileiros. A operadora também fica com a liderança no mercado móvel, com 38% de market share, e no mercado de pós-pago, com 40% de market share.

A Vivo vai receber 2,7 mil contratos de arrendamento de sites da Oi e precisa desinvestir metade deles em oito meses, devido à obrigação imposta pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Melcon, disse que “os [sites] que permanecerão vão gerar economia futura adicional potencial se conseguirmos negociar os termos de aluguel com os provedores”.

A Vivo vai pagar à Oi Móvel R$ 5,4 bilhões pelo custo de aquisição e mais R$ 300 milhões por contratos adicionais de serviço de transmissão e transmissão de dados.