“Parceria” é palavra-chave para a Intel

Para a Intel, a mudança de mentalidade nas empresas, o preço da tecnologia e a  mão de obra capacitada são três desafios para a transformação digital dos negócios no Brasil e na América Latina.

Em conversa com a DPL News, Marcelo Bertolami, diretor de Parceiros e Tecnologia para a América Latina, e Fabiano Sabatini, gerente de vendas de parceiros e líder de IoT, falaram sobre os obstáculos de habilitar a transformação digital e como a Intel trabalha para alcançar seu objetivo.

Mudança de mentalidade

A mudança da forma de pensar e da cultura das empresas é um obstáculo apontado por muitas empresas do setor de tecnologia e, com a Intel, não é diferente.

Bertolami afirma que, se a vertical é muito tradicional, é comum que os executivos desconheçam os benefícios da transformação digital.

“Por exemplo, em uma manufatura tem um monte de máquinas na planta. Uma pessoa tem que avaliar cada motor, se está vibrando, se está com a temperatura correta; tem que tomar nota, ir ao computador e carregar os dados, esse é um sistema tradicional. Você não sabe quando o motor vai quebrar”, disse o executivo.

MarceloBertolami
Marcelo Bertolami, diretor de Parceiros e Tecnologia para a América Latina na Intel.

A situação seria mais prática com sensores nas máquinas para medir a vibração e a temperatura. “Depois, poderia colocar um capturador que conecte todos os sensores da planta. Você teria a informação em tempo real de todos os motores ao mesmo tempo”. Podendo evitar a quebra de máquinas, a produtividade da manufatura poderia aumentar. 

O problema é que essa informação ainda não é clara para os tomadores de decisão de todas as verticais.

Leia também: Open RAN traz novos desafios para a indústria

Preço da tecnologia x preço da mão de obra

Um desafio específico de países emergentes é que o preço da tecnologia pode ser mais caro do que a mão de obra. “Muitas vezes, é mais fácil colocar mais pessoas para fazer um trabalho do que a tecnologia. Você soluciona um problema com mais operários que vão fazer o trabalho de custo muito baixo, e nada mais”, disse Bertolami.

Isso também pode ser um inibidor da aplicação de tecnologia nos países emergentes, onde a mão de obra é mais barata do que em países desenvolvidos, explicou.

Capacitação

Com a adoção de novas tecnologias, cresce a demanda por profissionais capacitados para lidar com as novidades, como a Inteligência Artificial. “É um dos nossos grandes problemas: como a gente acelera essa adoção de tecnologia? Não é só trazer a tecnologia, mas precisamos ter profissionais capacitados para usá-la”, comentou Sabatini.

Segundo um estudo da Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e Tecnologias Digitais), somente a indústria brasileira demandará 797 mil profissionais para tecnologias de informação e comunicação entre 2021 e 2025; e o país forma cerca de 53 mil pessoas em cursos de perfil tecnológico por ano, o que resultará, em quatro anos, em um déficit de 530 mil profissionais.

Como a Intel supera esses desafios?

O segredo para superar esses desafios pode ser resumido com a palavra “parceria”. A Intel tem apostado na aproximação de empresas parceiras para desenvolver novas soluções específicas para cada vertical e, ao mesmo tempo, para capacitar mão de obra no mundo inteiro.

O projeto AI for Youth, que foi anunciado para o México no mês passado, é um exemplo desse tipo de projeto. A companhia vai fornecer os recursos necessários para o Colégio Nacional de Educação Técnica Profissional montar uma grade curricular focada em Inteligência Artificial e machine learning. A expectativa é atingir 25 mil alunos nos próximos três anos.

As parcerias também servem para “gerar serviços e produtos mais rápida e eficientemente, ligados diretamente à demanda do consumidor ou do usuário final”, conclui Bertolami.