“O 6G vai nos libertar do celular”, diz especialista

“A melhoria na capacidade de interação humana vai ser a aplicação que vai propiciar ao 6G um sucesso econômico e de expansão”, defendeu o professor Luciano Leonel Mendes, do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), durante o Workshop Brasil 6G na sexta-feira, 11.

Ele explicou que a interação da forma como fazemos hoje – por meio de telas – não é suficiente para suprir a necessidade dos humanos de contato. “A grande aplicação do 6G vai ser me permitir me livrar do celular”, comentou. “Vai nos libertar e nos permitir interagir à distância usando muito mais que a ponta do dedo em uma tela.”

Isso acontecerá porque o 6G será mais voltado para o consumidor, se compararmos com o 5G, e as tecnologias hápticas serão aprimoradas, gerando soluções para realidade misturada, por exemplo.

Uma das utilidades da tecnologia são os jogos. Em vez de usar óculos de realidade virtual, que podem ser desconfortáveis e pesados, as pessoas poderão se divertir com mais elementos conectados que levam à sensação de participar do jogo.

O diretor de Relações Governamentais e Assuntos Regulatórios, Carlos Lauria, lembrou que também haverá aplicações para operações perigosas. “Você pode colocar um robô atuando dentro de uma usina nuclear ou dentro de uma operação de alta tensão, e o operador vai fazer os movimentos como se ele estivesse ali, e não usando uma interface de tela.”

Também participaram da discussão Daniel Ricardo, Mobile Technology Tactical and Strategic Planning na Algar Telecom; Agostinho Linhares, Gerente de Espectro, Órbita e Radiodifusão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel); e José Gontijo, diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Inovação Digital, do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações.

A teoria por trás do 6G

O professor da Universidade de Oulu, Matti Latva-Aho, apresentou os principais impulsionadores da tecnologia 6G: sociedade, negócios, padrões e tecnologia. 

Para ele, as discussões que vão levar ao 6G devem ser baseadas em inclusão digital, que será complementada com soluções para áreas remotas, incluindo satélites; novos ecossistemas e modelos de negócios disruptivos; colaboração e padrões globais; privacidade de dados e segurança para os negócios; arquitetura de rede orientada a serviços; conectividade super eficiente em faixas de frequência acima de 1000 GHz; e redes e aplicativos inteligentes habilitados para Inteligência Artificial.

Mas essa realidade ainda vai demorar para chegar ao consumidor. A previsão é que o 6G começará a aparecer por volta de 2030 para satisfazer as expectativas não atendidas pelo 5G e trazer novidades, como aplicativos com IA em todos os campos da sociedade.