México Digital Summit evidencia desafios em IA, regulação e economia digital

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México Digital Summit, organizado pela DPL Live, iniciou no dia 24 de setembro a discussão para o desenvolvimento da economia digital, destacando temas como a importância da colaboração e do diálogo para uma nova regulação adaptada a tecnologias emergentes como a inteligência artificial (IA), mas também para facilitar o desenvolvimento da infraestrutura necessária para fechar as lacunas digitais, com inclusão e equidade.

Gabriela Ramos, subdiretora-geral de Ciências Sociais e Humanas da Unesco, destacou a assinatura do Pacto para o Futuro recentemente em Nova Iorque, para que “as tecnologias se alinhem aos objetivos de desenvolvimento sustentável, para repensar um futuro mais equitativo, com aplicações que avancem em áreas concretas como saúde, educação, agricultura e mudança climática”, além da adoção de medidas para controlar os riscos inerentes.

Ramos afirmou, no entanto, que “não se trata de uma discussão tecnológica, (…) mas de como as alinhamos para avançar em sociedades mais justas”. Nesse sentido, ela destacou que devem ser tomadas decisões sobre que tipo de instituições e legislações são necessárias para promover o desenvolvimento das tecnologias e reduzir os possíveis impactos negativos.

Em particular, mencionou que o México possui organismos como o IFT (Instituto Federal de Telecomunicações) e Cofece (Comissão Federal de Concorrência Econômica), cujas funções devem ser preservadas.

René Orellana, gerente regional para o México e América Central do CAF, falou sobre o complexo desafio que existe em torno de novas tecnologias como IA, IoT e semicondutores, “porque têm um componente geopolítico complicado”. No entanto, ele também reconheceu que a economia digital oferece oportunidades para empreendedores e governos, além de possibilitar avanços no conceito de inclusão, com colaboração e troca de conhecimento.

Nesse contexto, o banco multilateral tem se concentrado em promover o diálogo, bem como o crescimento de startups que possam participar das cadeias de suprimento de setores estratégicos.

Rene Orellana

Alfredo Deluque Zuleta, senador da República da Colômbia, indicou, por sua parte, que enquanto outras regiões, como Estados Unidos, Europa ou Ásia, avançam rapidamente em nova regulação, a América Latina se mantém em um “tira e afloja”, o que pressiona os legisladores da região a tomar decisões rápidas. No entanto, ele advertiu que os países da região não devem se limitar a copiar ou adotar leis internacionais, mas que é necessário avançar em uma “legislação harmônica para progredir no ecossistema digital”.

Javier Juárez Mojica, comissionado presidente em suplência do Instituto Federal de Telecomunicações (IFT), também ressaltou a importância de desenvolver uma IA com inclusão, porque, do contrário, as “diferenças e desigualdades se tornariam maiores”.

Ele considerou que a digitalização trouxe oportunidades, mas também desigualdades para muitas pessoas, por isso é preciso superar a brecha digital e garantir que todos os mexicanos tenham acesso a essas tecnologias. Celebrou que o número de usuários da Internet aumentou em 51 milhões de pessoas desde 2013, alcançando 83,2% da população. “No IFT, nos posicionamos como um aliado do progresso para todos os mexicanos, com o objetivo do desenvolvimento social”, acrescentou.

“Como reguladores, somos conscientes da responsabilidade que isso implica, porque falamos da infraestrutura crítica que sustentará o futuro digital de nossos países. Essa complexidade nos obriga a agir de maneira coordenada com uma abordagem sistêmica e um diálogo compartilhado”, indicou.

Gabriel Székely, diretor geral da Associação Nacional de Telecomunicações (Anatel), alertou que “a indústria está em problemas no país”, porque ainda não se conhece a nova lei orgânica da nova administração e é difícil saber qual será o impacto das instituições do setor.

Ele destacou que “o papel estratégico do mundo digital é desempenhado pela indústria móvel”. Embora tenha levado 20 anos para chegar a 63 milhões de linhas conectadas, em apenas 8 anos esse número dobrou para 126 milhões de linhas em 2023, o que representa “uma grande contribuição da indústria para a conectividade”.

O executivo criticou os altos preços do espectro e, apesar dos sinais da indústria que já retornou esse recurso, “não há movimentos positivos”, por isso fez um apelo à nova administração para resolver esse desafio. O consumo de dados aumentou 32 vezes nos últimos oito anos, portanto, ele considerou que poderia surgir uma crise se as demandas por espectro não forem atendidas. Ele também alertou que há atrasos na implementação da infraestrutura, devido a estados que invadem competências e dificultam seu desenvolvimento.

Dispositivos e aplicações digitais para o desenvolvimento

Martin Xu, vice-presidente sênior corporativo da Honor, falou sobre a evolução e influência dos smartphones no desenvolvimento da economia digital. Nesse sentido, a empresa tem se concentrado no desenvolvimento da IA embutida em dispositivos, com mais de 150 laboratórios e 60% de seus funcionários dedicados à Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).

Ele falou sobre as plataformas de IA desenvolvidas pela Honor, desde a convergência entre sistemas, a reconfiguração do sistema operacional, novas aplicações no dispositivo, até a colaboração entre capacidades de IA embutidas no dispositivo em conjunto com a Nuvem. A Honor lançou recentemente um Agente de IA, que é um assistente pessoal que permite automatizar tarefas complexas.

Vicente Roqueñí, diretor de assuntos públicos da DiDi, concordou que os benefícios da conectividade se materializam por meio de aplicativos, como os de mobilidade, que já são uma norma entre a população. Por exemplo, no México, há 2,5 milhões de pessoas que geram renda por meio desses aplicativos, de forma livre e flexível, e 44 milhões de pessoas que solicitaram um serviço ou produto nessas plataformas.

No entanto, ele alertou que a regulação continua sendo um desafio para que as plataformas operem com certeza, como estados que ainda estão debatendo se devem autorizá-las ou não. “O desafio é como inovar por meio da regulação, como ela pode se tornar um facilitador do crescimento do ecossistema digital e não tentar encaixar os novos modelos econômicos em regulações antigas que respondiam a uma realidade diferente”, disse.

Maria Rosa Casillas, conselheira e vice-coordenadora da Associação Mexicana da Indústria de Tecnologias da Informação (Amiti), destacou que a organização tem promovido pilares da economia digital, como educação, empreendedorismo entre mulheres e jovens, inteligência artificial e o desenvolvimento de um mapa de rota de IA e inovação para aproveitar as vantagens do país, como sua localização geográfica e talento, além do desenvolvimento de tecnologia com ética social e inclusão.