Ericsson apresenta três casos de uso 5G em destaque no Brasil

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Como monetizar o 5G? Essa é a pergunta que as operadoras estão se fazendo agora que estão prestes a implementar a rede no Brasil, segundo Rodrigo Dienstmann, CEO da Ericsson para o Cone Sul da América Latina.

Em reunião com jornalistas nesta quarta-feira, 17, ele abordou os três casos de uso que mais chamaram a atenção dos seus clientes da América Latina durante o Mobile World Congress 2022: FWA; aplicação industrial; e redes públicas de 5G para novos modelos de negócio.

FWA

Para Dienstmann, a viabilidade técnica do FWA já está comprovada. Nos Estados Unidos, por exemplo, 43% dos acessos de banda larga fixa foram baseados em FWA, no quarto trimestre do ano passado.

No Brasil, as dúvidas que se colocam são se há mercado para o FWA, diante da pulverização da fibra óptica por meio das prestadoras de pequeno porte, e sobre o preço dos dispositivos.

Ele garante que ainda há espaço para o FWA, mesmo com o avanço da fibra, e, em relação ao preço, estudos mostram que o preço dos dispositivos vai cair consideravelmente até 2025. O executivo também defende que a tecnologia poderia ser subsidiada pelo governo, pois ajudaria a acabar com a brecha digital.

“Quando falamos de universalização, temos que colocar esse tema na mesa. O custo dos CPEs está caindo, mas a gente poderia eventualmente usar algum fundo público para acelerar essa depreciação no Brasil, porque tem a ver com inclusão digital.”

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A expectativa é que alguns pilotos aconteçam nos próximos trimestres, seja com a frequência milimétrica – 26 GHz –, seja com o 3,5 GHz. “Algumas operadoras estão vendo 3,5 GHz com mais receio, porque estão querendo reservar para o móvel, e outras estão vendo como oportunidade, porque ela usou 3,5 GHz numa cidade pequena, onde não tem tanto cliente, ela pode usar a capacidade instalada para fazer FWA”.

Aplicação industrial

A segunda oportunidade é a aplicação industrial, como em fábricas, em minas, portos e agricultura. Isso porque as operadoras que compraram frequências no leilão do 5G, principalmente de 26 GHz, querem monetizar a rede como privadas.

“Nós mostramos algumas soluções tecnológicas bem interessantes de redes indoor, mostramos o ecossistema de parceiros, porque obviamente não é só colocar o 5G tem que ter dispositivos e software”, explicou.

E acrescentou que o movimento entre operadoras e empresas do ramo industrial no Brasil está avançado, “no sentido de prospecção e interesse dos clientes”, sendo que muitos negócios começaram com LTE e agora estão migrando para o 5G.

No caso de frequências não licenciadas, o executivo acredita que ainda existe oportunidade para as operadoras, seja como integradoras ou por meio de data centers, serviço de operação, backhaul para escoar o tráfego para outro data center.

“Mas, se o cliente final – a indústria, fazenda, ferrovia – quiser usar a frequência industrial e contratar independente da operadora, ainda assim, a Ericsson vai estar presente.” Ele disse que a companhia não vai buscar esse mercado diretamente, mas que está montando uma rede de integradores e que os clientes finais poderão comprar e implementar.

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Redes públicas

O terceiro caso é usar as redes públicas de 5G para novos modelos de negócio. Um exemplo comentado foi o caso de “um grande banco brasileiro que poderia fechar um acordo com uma operadora – ou todas elas – para que quando o cliente clicasse no seu ícone do banco [no aplicativo], ao invés desse tráfego sair pela rede Internet, ele sair por um slice seguro que vai conectar ponto a ponto com o banco”.

Esse tipo de negociação ainda está em estágio mais inicial porque o 5G Standalone, necessário para a aplicação, ainda não foi instalado no Brasil. “A partir de julho, quando as primeiras redes forem estabelecidas nas capitais, vamos começar a fazer os primeiros testes e alguns negócios de âmbito limitado.” 

Apesar de ser a utilização mais promissora, na visão de Dienstmann, porque é mais simplificada, ela deve demorar mais para se tornar realidade.

Para o CEO da Ericsson, todas essas discussões – sobre FWA, uso industrial e redes públicas para casos de usos diferenciados – respondiam à pergunta das operadoras de como elas podem lucrar com o 5G, “essa é a grande preocupação de todas as operadoras”.