Abrintel defende “adensamento positivo” de torres para eficiência da cobertura

Entidade identificou duplicidade de infraestrutura em raios de menos de 200 metros, sem que a cobertura alcançasse localidades desassistidas.

A Abrintel (Associação Brasileira de Infraestrutura para Telecomunicações), em sua contribuição à Consulta Pública n.º 12/2024, sobre a revisão do Plano Estrutural de Redes de Telecomunicações (PERT) para 2024-2029, defendeu o adensamento positivo, incentivando o compartilhamento de estruturas já existentes para que novas torres possam ser direcionadas à cobertura de novos serviços como o 5G.

O conceito de adensamento positivo apresentado pela associação, consiste na instalação de novas torres de suporte que produzam de fato novas coberturas com maior abrangência, sem duplicar a infraestrutura, a fim de que a aplicação dos recursos sejam mais eficientes.

Segundo dados recentes da Anatel, o Brasil possui atualmente cerca de 94 mil sites. Essa quantidade representa uma redução causada pela aquisição da Oi Móvel pelas operadoras Claro, Telefônica e TIM, que eliminou torres sobrepostas.

Citando o estudo a “A gestão da infraestrutura de telecomunicações como um pilar fundamental para o futuro da América Latina” realizado pela SMC+, solicitado pela American Tower, o Brasil necessita de 101 mil novos sites até 2032.

A abrintel reforçou ainda que um aumento de 10% no número de torres de empresas independentes resulta em:

  • 0,96% de aumento na cobertura 4G.
  • 0,51% de aumento na adesão à banda larga sem fio.
  • 2,05% de aumento na qualidade dos serviços (velocidade de download).
  • 0,46% de aumento na competitividade do mercado de telefonia móvel.
  • 3,18% de redução no preço dos serviços em relação ao PIB per capita mensal.

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Duplicidade de infraestrutura e ineficiência dos recursos

Nota-se contudo, um desordenamento na instalação de novas infraestruturas no Brasil. A exemplo, a Abrintel cita três casos da implementação de torres em um raio de menos de 200 metros umas das outras. São as cidades de Cristalândia do Piauí – PI, Santana do Maranhão – MA e São João da Serra – PI com torres em distâncias de 150 m, 170 m e 180 m, respectivamente.

No caso particular de Santana do Maranhão, o distrito de Buriti Seco é uma das cidades listadas entre as localidades para ser atendida simultaneamente com 4G e 5G na tabela de compromissos de abrangência do Edital do 5G, indicando, portanto, que há necessidade de expansão da cobertura da internet móvel.

Contudo, o investimento que poderia ter ido para atender a população desassistida do acesso às redes, foi direcionado para a duplicação das torres.

Ainda outro estudo citado, realizado pela USP (Universidade de São Paulo) a pedido do MAPA, revelou que são necessárias mais de 20 mil antenas para garantir cobertura móvel 4G nas áreas rurais do Brasil, o que seria essencial para assegurar a conectividade em regiões remotas e contribuir para o desenvolvimento econômico e social dessas áreas.