Banda larga por fibra óptica cresce 25% na América Latina

Penetração média de FTTH na região alcança 33,4% com crescimento expressivo no Brasil, Argentina, México e Colômbia. Fabricantes aproveitam a oportunidade para oferecer serviços específicos às necessidades desses países

Dados da consultoria SmC+ para a Fiber Broadband Association (FBA) revelam um crescimento de 25% (57,7 milhões) no número de assinantes de banda larga por fibra óptica na América Latina. Os dados são preliminares, coletados para o Panorama FTTH LATAM 2023, que monitora os avanços regionais em FTTH até dezembro de 2022, em dezoito países da região e são baseados em informações públicas e anúncios de operadoras e reguladores de cada país.

De acordo com o estudo, a penetração média de FTTH na região atingiu 33,4% no final de 2022 (um aumento de 6,6%), enquanto a adoção da fibra, ou taxa de adesão, aumentou 4,7 pontos percentuais no último ano, atingindo 49,4%. 

No Brasil, era esperada uma diminuição no desenvolvimento de redes de fibra devido à crise na cadeia de suprimentos, por causa do aumento dos custos de envio global em decorrência da guerra na Ucrânia. No entanto, até o final de 2022, o país conseguiu superar esse cenário e atingiu um número maior de lares: 31,6 milhões de assinantes.

Em segundo lugar, o México alcançou 22,5 milhões de lares com FTTH, um aumento de 26% em 2022 em comparação a 2021. Já a Argentina e a Colômbia tiveram uma adição de quase 800.000 assinantes de FTTH cada no mesmo período.

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O estudo mostra ainda que, da mesma forma, outros mercados experimentaram uma rápida adoção de redes de fibra durante 2022, como o Peru, onde mais de 8,5 milhões de lares foram cobertos (aumento de 56%) e 1,2 milhão de assinantes migraram para redes de fibra até em casa. Porto Rico ultrapassou 800 mil lares com FTTH e 215 mil assinantes sob essa tecnologia.

“Isso mostra um incrível ‘momentum’ para o setor, que está crescendo em escala, alcance e atraindo um número significativo de investimentos. Seria esperado que, se a região seguir o caminho de países líderes na Europa ou nos Estados Unidos, o crescimento poderia atingir o pico nos próximos dois anos” afirma Samuel Beltrán, consultor da SmC+.

Na mira dos fabricantes

Atento a essa crescente demanda, o mercado de fibra passa a desenvolver soluções voltadas para a região, tanto na engenharia, quanto nos custos. A Corning é uma delas. Além de atender grandes operadoras, a fabricante mira também na forte atuação das ISPs (Internet Service Provider), que são responsáveis por mais da metade das assinaturas de banda larga no país, sobretudo na região nordeste, segundo dados da Anatel. 

“A instalação da fábrica desde 2013 no Brasil, foi justamente para desenvolver produtos que se adequem a esse público local com a qualidade internacional”, explica Juliano Covas, gerente de vendas da Corning no Brasil. “Ao trazer para cá, a gente não traz somente aquilo que é feito nos Estados Unidos. A gente nacionaliza e busca soluções mais econômicas para se adequar ao mercado regional”, diz ao se referir à recém lançada caixa terminal óptica UCAO Multiport, voltada para simplificar a atuação das ISPs.

O equipamento tem capacidade para atender 16 assinantes em arquitetura tipo barramento, permitindo uma redução de até 50% no número de terminais no enlace. A solução apresenta diferentes relações de divisão de potência para personalizar cada implantação no alcance do sinal ideal. Na América Latina, a Corning possui fabricação no Brasil e no México.

Papel das pequenas e médias provedoras

Atualmente, o Brasil possui mais de 10 mil operadoras pequenas e médias estabelecidas, que fornecem soluções FTTH em regiões de baixa densidade e comunidades remotas. Até 2022, de acordo com a Anatel, quase 60% dos assinantes pertencem a essas iniciativas pequenas e médias, que estão agrupadas em associações como a ABRINT e ABRANET, como forma de ter uma representação mais significativa em relação às grandes operadoras.

Na Argentina, as operadoras pequenas e médias evoluíram sob dois modelos de negócios: o primeiro relacionado a cooperativas presentes em áreas menos povoadas do país, que implantaram redes FTTH, semelhante ao Brasil. O segundo modelo refere-se a esses pequenos e médios provedores, como Telecentro ou Metrotel, que evoluíram com redes privadas e compartilham sua infraestrutura com outras grandes operadoras. Esses dois modelos de negócios, juntos, representaram mais de 14% do total de assinantes de FTTH no país até o final de 2022.

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