Barcelona, Espanha. A Huawei apresentou no Mobile World Congress (MWC 2026) o SuperPod, uma estratégia alternativa à infraestrutura de inteligência artificial até então dominada pela NVIDIA, baseada em sua própria arquitetura de computação e em um modelo aberto de desenvolvimento de software.
A proposta combina servidores e processadores de IA desenvolvidos pela Huawei, com clusters de alto desempenho que podem reunir milhares de NPUs (processadores neurais) interligadas por um protocolo proprietário de comunicação interna da companhia.
Segundo o CMO da empresa, Carlos Roseiro, essa interconexão permite que múltiplos servidores operem em conjunto para atingir níveis de desempenho comparáveis aos maiores sistemas de computação para IA do mercado.
O modelo é voltado principalmente para aplicações que exigem grande capacidade de processamento como simulações industriais, pesquisa farmacêutica e análise geológica. Um exemplo citado pela empresa é o uso por companhias de energia para criar gêmeos digitais de campos petrolíferos e simular perfurações antes da exploração física. E a empresa já mira uma cliente em potencial: a Petrobras.
Além da infraestrutura de hardware, a Huawei também defende uma abordagem baseada em software open source para o desenvolvimento de aplicações e modelos de IA. Diferentemente de plataformas proprietárias, a proposta permite que empresas utilizem modelos abertos e construam suas próprias aplicações sobre essa base. “Aqui é diferente: o software é open source. Você desenvolve e libera”, frisou Roseiro.
Segundo a companhia, o modelo de negócios se concentra na venda de hardware, enquanto ferramentas, frameworks e modelos podem permanecer abertos para desenvolvimento e adaptação pelos clientes.
A estratégia busca atrair grandes empresas interessadas em criar infraestrutura própria de IA ou oferecer capacidade computacional como serviço.