Estes são os desafios que o Brasil enfrenta para implementar o 5G

A competência das empresas e a capacitação da mão de obra são dois pontos chave para a implementação do 5G no Brasil. Em um evento virtual da Feninfra na última sexta-feira, 25, os painelistas comentaram quais desafios devem receber a atenção do governo, de empresas e trabalhadores para permitir o acesso ao 5G de qualidade.

O primeiro ponto destacado foi quanto à qualificação das companhias. Vivien Suruagy, presidente da Federação Nacional de Call Center, Instalação e Manutenção de Infraestrutura de Redes de Telecomunicações e de Informática (Feninfra) disse que as empresas de infraestrutura estão sendo constituídas de forma irregular, com déficit na área fiscal, trabalhista e na qualidade do serviço.

“Muitas vezes, essas organizações utilizam equipamentos e cabos de procedência duvidosa”, afirmou, e pediu ações do poder público para impedir esse tipo de atividade.

Em 2020, foram 4,6 milhões de metros de cabos roubados ou furtados, um aumento de 16% em relação ao registrado em 2019, segundo dados do Conexis Brasil Digital. As ações criminosas interromperam o serviço de 6,679 milhões de clientes no ano passado.

O presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações e Operadores de Mesas Telefônicas (Fenattel), Gilberto Dourado, defendeu a utilização do selo de qualidade das companhias como uma forma de diferenciar aquelas que oferecem um bom serviço e as que prejudicam o mercado. 

Para uma empresa receber o selo, seria feita análise da capacitação técnico, jurídica, fiscal e trabalhista.

Dourado acredita que a união dos setores laboral e patronal é essencial para conquistar a certificação e garantir uma boa implementação do 5G.

Capacitação profissional

A falta de mão de obra qualificada para o ecossistema de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) foi destacada por Bruno Zitnick, diretor de Relações Públicas e Governamentais da Huawei.

“A gente tem falado de todas as mudanças e oportunidades que o 5G pode trazer e gerar na indústria, mas é importante reforçar que essa revolução não vai acontecer se não tivermos pessoas preparadas para trabalhar”, comentou.

A Huawei trabalha na capacitação de profissionais, inclusive voltados para a geração “nem-nem”, jovens que não estudam e nem trabalham. Zitnick falou da criação de laboratórios focados na instalação de fibra óptica e da parceria com mais de 70 universidades, com o objetivo de aproximar os estudantes do mercado TIC.

Além disso, a companhia vai investir na atualização dos funcionários que já possuem experiência na implementação do 4G, para que eles trabalhem também com o 5G.

A expectativa é que o 5G crie 1,5 milhão de vagas de emprego no curto prazo, mencionou Suruagy.

Viabilidade econômica

Por fim, os painelistas comentaram outra preocupação em relação à quinta geração da rede móvel: a viabilidade financeira, já que a minuta do edital 5G traz obrigações para levar conectividade a locais sem atratividade econômica, como estradas, zonas rurais e pequenas cidades.

“Temos que saber se essas obrigações são factíveis, qual o retorno [financeiro] e qual valor vai ser cobrado no leilão. Porque, com atratividade para os participantes, nós vamos levar conectividade para todo o Brasil”, concluiu.