Transformação digital das indústrias brasileiras dependem do ecossistema local: Huawei

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A transformação digital das indústrias não depende só das operadoras e dos fornecedores de equipamentos 5G. Para Carlos Roseiro, diretor de Soluções Integradas da Huawei, são os integradores e parceiros locais que impulsionam a mudança.

Em evento para a imprensa nesta quarta-feira, 11, o executivo abordou as necessidades do Brasil para a transformação do 5G.

Em relação ao mercado B2B, a previsão da Huawei é que em 2030 as indústrias estejam totalmente digitalizadas. Para chegar a este nível, além de rede e cloud – fornecidas pelas operadoras e pela Huawei –, são necessários aparelhos e sensores específicos para cada aplicação e plataforma de Internet das Coisas, por exemplo.

“O fornecedor é global, pode ser chinês ou sueco, mas isso [a transformação] é feito a nível local. Os integradores, os parceiros locais são quem vão fazer acontecer, porque eles conhecem o cliente local e tem a aplicação específica para o cliente”, comentou Roseiro. “O 5G é uma transformação que tem que ser feita também pelos brasileiros”.

O executivo destacou que as verticais com ecossistema mais desenvolvido até agora no Brasil são: manufatura, agricultura, mineração, logística e entretenimento digital.

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3 desafios das operadoras

Roseiro também destacou as três maiores barreiras no B2C que as operadoras no Brasil terão que enfrentar na transição para a rede 5G, com base na experiência de outros países. 

A primeira missão é migrar usuários para o 5G. “Para isso, as pessoas precisam de aparelhos. O que contribuiu para acelerar o crescimento do 5G em outros países foi a diversidade de aparelhos, principalmente abaixo dos US$ 300 (aproximadamente R$ 1.500).” Atualmente, todos os aparelhos 5G no Brasil custam mais do que R$ 1.500, mas ele afirmou que a tendência é diminuir o preço.

O executivo também apontou a necessidade de as operadoras investirem em um marketing mais específico. “Não precisa de anúncios globais, é região por região, diferente para quem tem aparelho 5G e quem não tem”, explicou.

O segundo passo é fazer com que os clientes usem mais a rede 5G por meio de pacotes maiores, já que o consumo de dados também vai ser maior em comparação ao 4G. A grande vantagem é que no 5G é possível processar 1 GB com um custo 10 vezes menor do que no 4G. “Quanto mais usuários usarem minha rede 5G, mais eficiente ela será, do ponto de vista de opex das operadoras”.

O terceiro desafio é a criação de novos serviços para aumentar a receita por usuário. “A experiência mostra que, assim que a rede 5G é lançada, os serviços são os mesmos. Vamos continuar usando Netflix e assistindo jogos no Premiere, mas a experiência vai ser melhor.”

A diferença começa a aparecer nos anos seguintes. Um exemplo é a tecnologia New Video, que já está disponível em alguns países. Ela possibilita que o espectador escolha a câmera que ele quer usar para assistir determinado show pelo celular, ou o ângulo da câmera, caso o evento esteja equipado com câmeras 360º. Tudo isso em tempo real.