Desde 2022 a corte investiga suspeita de irregularidades na nomeação do cargo, mas entendeu que não tem competência para julgar o processo.
O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu manter o mandato de Carlos Baigorri, presidente da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e arquivar o caso, por entender que não tem competência para julgar o processo, uma vez que a nomeação para as agências reguladoras partem de decisões políticas, isto é, da Presidência da República e do Senado Federal.
Os ministros da corte decidiram, por maioria, seguir o voto do ministro Jorge Oliveira, que argumentou justamente ser esta uma atribuição do Congresso. Desta forma, Baigorri seguirá na presidência da autarquia até novembro de 2026. Além disso, a decisão afeta o futuro de outras quatro agências reguladoras:
Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica);
Ancine (Agência Nacional do Cinema);
Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária);
ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).
Todas estão com seus presidentes no limiar de seus mandatos.
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Entenda
Desde 2022, a nomeação de Baigorri vem sendo investigada pelo TCU por indícios de irregularidades em sua indicação. Quando foi nomeado presidente, ele já ocupava o cargo de conselheiro há dois anos.
Como o cargo de presidente prevê um mandato de cinco anos, ele totalizaria sete no colegiado da Anatel; um período superior ao limite previsto na Lei das Agências Reguladoras.
A intenção, contudo, não era remover Baigorri do cargo e sim fazer a indicação para um novo mandato, mas com o arquivamento do caso, de qualquer forma ele se manterá na presidência da agência por tempo superior ao previsto na Lei.
Embora o TCU não tenha tomado uma decisão final e ainda que a AGU (Advocacia-Geral da União) defenda o prazo máximo de cinco anos, a atual situação deixa a entender que no futuro, o governo pode indicar, sob aprovação do Senado, um diretor ou conselheiro para a presidência das agências por um período de até quase 10 anos consecutivos.