Nova ambição do Brasil para 2030 é tornar-se relevante em IA, diz Baigorri
Longe de grandes pretensões com infraestrutura ou da simples adoção da tecnologia, a chave está em gerar valor às pessoas, defende presidente da Anatel.
São Paulo. Tendo quase superado seus desafios de cobertura móvel e atestado o cumprimento das obrigações com o 5G antecipadamente ao cronograma, o próximo passo para o Brasil de olho em 2030, é tornar-se relevante em inteligência artificial (IA), afirmou Carlos Baigorri, presidente Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
“O desafio não é ser competitivo em GPUs, data centers ou LLM em português: mas em desenvolver aplicações, as quais realmente geram a interação das pessoas e que agregam valor [inclusive financeiro]”, disse a exemplo dos diferentes softwares práticos e serviços de streaming, para onde está indo a maior parte das receitas.
Na visão de outros atores do setor, o 5G é parte essencial desse processo, especialmente o 5G-Advanced. Carlos Roseiro, diretor de ICT marketing da Huawei, ressaltou que a demanda de uplink da inteligência artificial está alterando as proporções do tráfego de rede, justamente o que motiva novos modelos de negócio: “é a resposta que as operadoras poderão dar para esse aumento de consumo nas redes móveis”, afirmou.
Já para Andreia Faustino, CTO da Ericsson no Brasil, a IA é complementar e veio para transformar as redes como base, para além de seu reconhecimento como um mero habilitador e ajudá-las a operar de forma mais simplificada, já embarcada.
“O papel complementar da IA ao 5G é pressionar essas redes a funcionarem como uma alavanca de agilidade operacional. Um exemplo são as APIs, fortemente absorvidas pelo setor financeiro”, observou.
Por fim, Mariana Abreu, superintendente executiva da Conexis Brasil Digital, previu que para 2030 esses debates serão ultrapassados pelo ciclo natural de maturidade da IA e do 5G. “Tecnologias se tornam cotidianas, invisíveis no dia a dia. Nosso trabalho é acelerar esse processo, convencer o setor produtivo a investir, ultrapassar as barreiras regulatórias e legislativas, para aproveitar os benefícios da conectividade.”