Microsoft: “Lei de IA no Brasil tem que conversar com o mundo”
Empresa reforça sua ótica global de atuação com a tecnologia e entende que regulação tem que ser pertinente para além de fronteiras.
Nenhuma empresa que desenvolva inteligência artificial (IA), esperou por uma lei para que pudesse lançar seus produtos com a tecnologia. A Microsoft criou seu regramento interno com olhar para governança e ética para o que ela chama de “IA responsável”. E o que isso pode contribuir para que uma regulamentação de fato saia do papel no Brasil? Muito.
A empresa, que tem participado das discussões no congresso brasileiro e internacionalmente, desde de antes da Lei de Inteligência Artificial da União Europeia (UE), entende que uma regulação eficaz envolve uma abordagem abrangente, visto que o principal impasse das discussões no Brasil, é a rápida evolução da tecnologia.
Elias Abdala Neto, Assistant General Counsel da Microsoft, em conversa com a DPL News durante o evento Microsoft AI, explica que o Brasil já possui arcabouço jurídico com leis aplicadas à tecnologia. Por essa razão, o fato de ainda não existir uma regulamentação própria para IA, não significa que as leis existentes não se apliquem à tecnologia, ainda que indiretamente.
“Acho que a regulação de IA inteligente é aquela que vai poder conversar bem com as outras que já existem”, declarou. Para o executivo, a oportunidade do Brasil enquanto país-sede do G20, é buscar sua liderança no grupo e trazer esse tema para ser discutido de um ponto de vista de governança, alavancando essa discussão em outros fóruns representativos. No âmbito regulatório, a principal visão tem que ser na mitigação de riscos.
“O Brasil é uma potência digital adormecida, já há muita inovação digital acontecendo, muitas vezes mais capazes e efetivas do que em países desenvolvidos, mas não aproveitamos este ponto”, observou Abdala.
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Especialmente sobre aplicabilidade, ele diz que o ideal é criar algo que possa funcionar não só dentro das suas fronteiras, mas que vai ter um objetivo comum com vários outros países. “A IA oferece um enorme potencial de desenvolvimento econômico e social, mas também exige uma abordagem colaborativa”, reforça o executivo.
Com essa filosofia, dentro da Microsoft, o Comitê de IA responsável, passou a aprimorar o desenvolvimento dessa tecnologia abrindo-a para o mercado e comercializando-a com seus clientes para que também pudessem implementar suas aplicações com IA de forma responsável.
A parceria com a OpenAI, por exemplo, para a Microsoft inclui “o melhor dos dois mundos”, uma vez que ela oferece governança e a OpenAI proporciona maior celeridade na capacidade de inovação.
A empresa também frisou seu comprometimento em promover a conscientização e a troca de ideias sobre este tema, interna e externamente. Para garantir que suas tecnologias sejam utilizadas de forma ética e responsável, a Microsoft reforçou seus investimentos em ferramentas e testes de tecnologia e treinamento com a plataforma Microsoft Mais Brasil, que desenvolve letramento digital e oferece diferentes cursos já acessados por 8 milhões de brasileiros, segundo a empresa.