A implementação do IPv6 – protocolo atual da Internet –, que começou para o usuário final em 2015, atinge hoje 44,73% da rede no Brasil, segundo dados do Google. Apesar de ser um número baixo, o país é o terceiro colocado no ranking da América Latina, atrás de Uruguai (55,1%) e México (45,49%).
O número foi apresentado no workshop “IPv6: Desafios para sua Adoção e novas Tendências”, promovido nesta quarta-feira pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e pela Huawei.
Segundo Antonio Moreiras, gerente de projetos e desenvolvimento no NIC.br, as operadoras de telecomunicações têm responsabilidade nisso porque migraram suas redes para o novo protocolo (adoção próxima a 100%). “As teles têm feito bem a lição de casa de implantar IPv6 e entregar até o usuário final. Já os provedores regionais não têm números tão bons quanto os das operadoras”, comentou.
Um dos principais obstáculos é o suporte em equipamentos. Moreiras comentou que existem CPEs que funcionam no IPv6, mas às vezes com desempenho diferente do IPv4, ou o novo protocolo não vem habilitado de fábrica.
Boa parte das smart TVs não dão acesso IPv6, assim como consoles e games. “Às vezes são empresas independentes que desenvolvem os jogos e os servidores podem ser mantidos por elas, não pelo fabricante. É um ecossistema para ser educado para o uso de IPv6”, afirmou Moreiras. “São pontos que atrapalham a implantação no Brasil e no mundo”.
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Ele também apresentou resultados de testes realizados no final do ano passado pelo NIC em relação a conteúdos na Internet:
- De 46 bancos testados, 8,7% tinham IPv6
- De 11 plataformas de streaming, 36,4% tinham IPv6
- De 30 portais de notícias, 43,3% tinham IPv6
- De 9 redes sociais, 55,6% tinham IPv6
- De 60 jogos online, 8,3% tinham IPv6
José Bicalho, diretor de Regulação e Autorregulação da Conexis, acredita que é necessária uma ampla conscientização sobre a necessidade de migrar para o novo protocolo. Atualmente, inclusive sites e aplicações do governo funcionam apenas em IPv4.
E, para os provedores regionais, Bicalho defende o trabalho em uma campanha para que eles usem apenas equipamentos IPv6 e que sejam feitas instalações de novos usuários preferencialmente em IPv6.