Brasil e China vão construir novo satélite para monitoramento da Amazônia

Uma comitiva do governo brasileiro viajou à China nesta semana para cumprir uma agenda recheada de acordos bilaterais. A ministra Luciana Santos, da Ciência, Tecnologia e Inovação, vai assinar atos para o desenvolvimento de um novo satélite, para as áreas de nanotecnologia, energia limpa, entre outras.

Segundo o Ministério, Santos vai participar de reuniões com CEOs de algumas empresas, como BYD e Huawei, e assinar acordos. Um deles é voltado para a construção do próximo satélite de recursos terrestres, que faz parte do programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite). 

O CBERS-6 contará com o Radar de Abertura Sintética (SAR), que permite gerar dados em qualquer condição climática e através de nuvens. A tecnologia promete melhorar o monitoramento da Amazônia e complementar os dados de outros satélites (CBERS-4, CBERS-4A e Amazônia-1).

A expectativa é que o equipamento seja construído e entre em órbita em 42 meses após a assinatura do acordo, que dependerá da aprovação do Congresso Nacional. 

O projeto custará US$ 51 milhões para cada país, sendo que, no Brasil, os recursos virão do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

Relacionado: EAF contrata empresa chinesa para implementar infovias na Amazônia

Ministério das Comunicações

O ministro Juscelino Filho, das Comunicações, também está na comitiva brasileira. Ele vai firmar um Memorando de Entendimento para “o intercâmbio de informações sobre políticas, regulamentos e padrões técnicos de telecomunicações”, de acordo com o Ministério.

O ministro ainda participou de uma visita técnica no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Huawei, em Shanghai. 

Brasil-China

A China é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009. No ano passado, o país asiático importou mais de US$ 89,7 bilhões em produtos brasileiros, principalmente soja (36%), minério de ferro (20%) e petróleo (18%), e exportou quase US$ 60,7 bilhões. O volume cresceu 21 vezes desde a primeira visita do Lula à China, em 2004.

Desta vez, os dois países devem assinar cerca de 20 acordos bilaterais.