Carrefour rastreia gado e garante carne livre de desmatamento

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Uma carne 100% livre de desmatamento, produzida por pequenos produtores na borda da Amazônia, rastreada do bezerro até a prateleira do supermercado e com o preço acessível para grande parte da população brasileira. Parece um caso utópico, mas já é realidade na linha Sabor & Qualidade do Carrefour.

As primeiras carnes originárias do Programa de Produção Sustentável de Bezerros, uma parceria entre a rede de supermercados e a Iniciativa para o Comércio Sustentável (IDH), chegaram às prateleiras do Carrefour no final de julho, em uma loja da cidade de São Paulo. 

Cada pacote tinha um QR Code e, por meio dele, o consumidor podia conferir se o animal foi criado seguindo o Código Florestal, se a mão de obra empregada teve condições decentes de trabalho, por quais fazendas o bezerro passou, entre outras informações.

“A gente quer transformar a forma como os bezerros são produzidos no Brasil. A produção é sustentável porque é feita de forma que o produtor permaneça economicamente viável e conservando o meio ambiente”, explicou Daniela Mariuzzo à DPL News, diretora executiva da IDH Brasil e do Programa de Paisagens Sustentáveis na América Latina.

Com investimentos que somam mais de 3,5 milhões de euros, a empresa e a organização se uniram em 2017 com o objetivo de incluir os pequenos produtores na cadeia produtiva da carne bovina. Para essa inclusão, eles ajudam a melhorar os aspectos técnicos dos proprietários de gado e a rastrear os animais que já nasceram com o espaço em conformidade com os critérios socioambientais.

O processo

“Antes de colocar isso na visão digital para o consumidor, é necessário um processo analógico que dê sustentação para a estrutura tecnológica”, comentou Lucio Vicente, head de Sustentabilidade do Grupo Carrefour Brasil.

As peças que chegaram ao mercado recentemente foram produzidas no Vale do Juruena, no estado do Mato Grosso. A região, que fica no bioma Amazônia, corresponde por 35% da produção de bezerros do estado. Por conta da localização, não há conexão com a Internet.

Isso significa que os bovinos de 150 produtores foram acompanhados desde 2018 pessoalmente ou por meio da rádio municipal –durante a pandemia–, para tirar dúvidas dos produtores e apoiá-los tecnicamente.

A partir dos dados gerados nas fases de cria, recria, engorda – que podem acontecer em propriedades diferentes – e frigorífico, o consumidor pode conferir a maneira como o animal foi criado. “Cada etapa das propriedades rurais é verificável”, disse Mariuzzo.

Além disso, o Carrefour e o IDH criaram um protocolo descritivo sobre como o sistema funciona e como se comprova que os produtores atendem aos critérios. “Tudo está descrito em um documento que se chama Memorial Descritivo, está em fase de aprovação”, afirmou a diretora. 

“É auditável por terceira parte porque vamos mostrar todos os procedimentos e qualificar empresas que fazem auditoria. Se um restaurante for comprar grande quantidade de carne e quiser uma auditoria, mesmo sendo rastreável, pode ser feito porque tem um sistema de gestão que possibilita isso”, explicou.

Próximos passos

Ainda fazem do piloto deste programa outros 300 pequenos produtores na região do Cerrado, no Vale do Araguaia. Daqui quatro a seis meses, eles começarão a ter os lotes identificados.

A meta é dar escala ao projeto e atender os mais de 110 mil pecuaristas do Mato Grosso. O estado foi escolhido porque está de acordo com a Estratégia Estadual Produzir, Conservar e Incluir, que estabelece metas para aumentar a eficiência da produção agropecuária, promover a conservação da vegetação nativa, a recomposição dos passivos ambientais, e apoiar a inclusão socioeconômica da agricultura familiar.