Barcelona, Espanha.– O whitepaper “Baterias de lítio para sites de telecomunicações” lançado durante o MWC 2025 pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) em parceria com a subsidiária de energia da Huawei, faz um alerta sobre a presença de baterias de baixa qualidade no mercado e propõe medidas para evitar falhas catastróficas.
O uso de baterias de lítio em infraestruturas de telecomunicações é uma realidade crescente, e os desafios de segurança ainda preocupam o setor. Com redes cada vez mais dependentes de fontes de energia estáveis, falhas nesses sistemas podem resultar na interrupção de serviços essenciais, afetando milhões de usuários.
Entre os pontos críticos apontados pelo estudo, estão defeitos no gerenciamento térmico das baterias, falhas de fabricação e o uso de células reaproveitadas de veículos elétricos sem controle de qualidade.
Para mitigar esses problemas, a UIT defende a adoção de padrões globais mais rigorosos, testes de segurança abrangentes e um sistema de certificação para baterias utilizadas em sites de telecomunicações.
À DPL News, Reyna Ubeda, engenheira e assessora do Grupo de Estudo 5 da UIT-T (Meio Ambiente, Mudanças Climáticas e Economia Circular), reforçou que o uso de baterias de lítio abrange diversos setores. “Por exemplo, a IEC está trabalhando em padrões para baterias de veículos elétricos, e há outras organizações como a EU Battery Alliance. Propomos uma colaboração com essas entidades, dando foco ao setor TIC”, explicou.

O documento destaca ainda que, embora as baterias de lítio, especialmente as de fosfato de ferro-lítio (LFP), sejam mais eficientes e duráveis do que as tradicionais chumbo-ácido, a ausência de padrões específicos para telecomunicações abre espaço para riscos como curtos-circuitos, vazamentos e incêndios.
Além da segurança, a publicação reforça a importância de práticas sustentáveis para o ciclo de vida das baterias, incluindo reciclagem e descarte adequado, alinhando-se às novas regulamentações da União Europeia e às diretrizes do ITU-T L.1035.
A discussão é de extrema relevância em um momento em que operadoras investem em redes 5G e soluções de energia renovável, tornando a confiabilidade das baterias um fator estratégico para a infraestrutura de telecomunicações.
Ubeda reforçou que ainda não há um cronograma definido para estabelecer os novos padrões, mas que se trata de um chamado para impulsionar esse tema justamente devido a essa importância. “Os padrões são voluntários e só se tornam obrigatórios se os países os incluírem em sua regulamentação”, concluiu.